Porto de Maputo já se ressente do impacto da guerra no Médio Oriente

O Porto de Maputo, o maior de Moçambique, começa a registar os primeiros impactos da instabilidade no Médio Oriente, que se traduzem no aumento dos custos de combustíveis e, consequentemente, no transporte marítimo de mercadorias.
Impactos da Crise Geopolítica
Osório Lucas, diretor executivo da concessionária do Porto de Maputo, explicou que os efeitos, ainda que moderados, manifestam-se no encarecimento do frete dos navios devido ao aumento dos custos operacionais. Adicionalmente, registam-se atrasos no manuseamento de navios de carga geral, uma vez que a retirada das mercadorias do porto para os armazéns depende da disponibilidade de camiões, que por sua vez são afetados pela dificuldade no abastecimento de combustíveis no país.
Apesar destas repercussões iniciais, Lucas assegurou que o Porto de Maputo não sofreu um impacto maior até ao momento, mas que a instituição está a desenvolver planos de contingência para responder a eventuais agravamentos da situação.
Compromisso com o Investimento
À margem da 9ª Conferência Bienal do Porto de Maputo, o gestor destacou o compromisso renovado dos acionistas da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) – nomeadamente a DP World, a empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Grindrod – em prosseguir com o plano de investimento, independentemente do cenário geopolítico atual no Médio Oriente.
Este plano, avaliado em cerca de 500 milhões de dólares americanos, decorre de 2024 a 2027 e visa a expansão e modernização das infraestruturas portuárias. O objetivo da conferência foi precisamente confirmar o cumprimento do compromisso assumido com o Governo moçambicano no início de 2024, aquando da extensão do período de concessão.
Projetos em Curso e Perspetivas Futuras
A primeira fase do plano de investimento inclui a expansão dos terminais de contentores e de carvão, cujas obras já estão em andamento e têm previsão de conclusão para o primeiro trimestre de 2027. O terminal de carga geral já foi expandido, e a MPDC prevê iniciar, no final deste ano, a reabilitação de 400 metros dos cais II e IV. Paralelamente, foi lançado o concurso para a dragagem de aprofundamento do canal de acesso ao porto.
Lucas concluiu com uma nota de otimismo, expressando a expectativa de que o ano de 2028 seja marcado por grandes realizações, impulsionadas pelos investimentos substanciais que estão a ser implementados atualmente.



