Justiça

Ministro na Presidência na mira da justiça depois de detenções de gestores da LAM

A investigação aos alegados desvios de fundos e gestão danosa nas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) está longe de terminar, com novos desenvolvimentos a apontar para o envolvimento de figuras de topo, incluindo o atual Ministro na Presidência para Assuntos Económicos, Mateus Magala.

Após as recentes detenções de João Carlos Pó Jorge, antigo presidente da companhia aérea de bandeira, e de quatro dos seus colaboradores mais diretos, a justiça moçambicana, através do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), prepara-se para alargar o leque de arguidos. O GCCC confirmou a existência de cinco processos-crime que abordam a compra e venda de aeronaves, bem como uma complexa rede de comissões e subfaturações que terão causado enormes prejuízos à empresa.

Contrato com a Fly Modern Ark sob Escrutínio

No centro desta polémica, e com potencial para trazer novas caras ao processo, encontra-se o controverso contrato de reestruturação assinado com a consultora sul-africana Fly Modern Ark (FMA). O semanário Evidências avança que Mateus Magala, que foi o principal rosto do Governo na defesa e contratação da FMA em abril de 2023, poderá ser chamado a depor. O objetivo é esclarecer a legalidade e os contornos do memorando celebrado com o Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE).

Apesar de Mateus Magala, na altura Ministro dos Transportes e Comunicações, ter elogiado publicamente a intervenção da FMA em junho de 2023, garantindo que a LAM era já “tecnicamente solvente”, a verdade é que a consultora acabou por mergulhar a companhia em novas suspeitas de irregularidades.

Testemunho Chave e Outros Envolvidos

A lista de potenciais visados não se limita, contudo, ao atual ministro. Sérgio Matos, que foi diretor de Projetos de Reestruturação da FMA e se encontra atualmente exilado no Qatar, é apontado como uma figura central para o esclarecimento do processo. Matos denunciou esquemas de terminais de pagamento automático (POS) alegadamente usados para desviar dinheiro das bilheteiras e afirma ter recebido ameaças de morte, tornando o seu testemunho crucial para a investigação.

Fontes próximas do processo indicam que a operação da passada quinta-feira, que levou à detenção de Eugénio Mulungo, Hilário Tembe e Armindo Savanguana, além de Pó Jorge, pode ser apenas o início de uma investigação ainda mais abrangente. Em liberdade, mas sob o escrutínio da justiça, encontram-se também Clérgio Muhaté, irmão do atual Ministro da Economia e Finanças, e Henriques Comiche, ambos ligados a um caso de contratação de serviços de tradução que nunca foram prestados.

A justiça moçambicana promete continuar a investigar a fundo estas irregularidades que abalam a credibilidade da companhia aérea nacional e a confiança nas instituições públicas.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!