Aluna da “Quisse Mavota”escapa à violação sexual

Uma estudante de 17 anos, que frequentava o curso nocturno na Escola Secundária Quisse Mavota, no bairro do Zimpeto, em Maputo, viveu momentos de terror ao escapar por pouco a uma tentativa de violação sexual enquanto regressava a casa.

O Incidente Chocante
A jovem, identificada com o nome fictício de Sofia António, foi atacada na noite de 23 de Julho de 2025, por volta das 21h40, a poucos metros da residência dos tios, onde vivia. Os agressores, descritos como “predadores” na acusação, roubaram a sua bolsa com material escolar e um telemóvel da marca “Itel”. Durante o ataque, Sofia foi arrastada para uma vala de drenagem e agredida violentamente na nuca, causando-lhe ferimentos que exigiram quatro pontos de sutura na cabeça, possivelmente devido a golpes com uma garrafa de vidro, conforme indica o auto de notícia da 24.ª Esquadra da PRM.

O Trauma e as Consequências
A vítima perdeu muito sangue e, mais importante, ganhou um medo profundo que a levou a regressar a Inhambane, sua terra natal, para se afastar do local do trauma. O processo número 03/2026-C, que está a ser julgado na Décima Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, detalha que Sofia só conseguiu escapar ao pior ao gritar por socorro de forma ensurdecedora, o que alertou a vizinhança. Quando foi socorrida, estava sem roupa, tendo uma vizinha emprestado uma capulana para que pudesse cobrir-se.
A Investigação e a Defesa do Indiciado
O único indiciado no caso, um homem de 32 anos que se encontra em prisão preventiva, nega veementemente a autoria do crime. Ele alega que havia outras três pessoas no local que fugiram antes da chegada do socorro e que a sua confissão foi obtida sob coação. Contudo, a acusação indica que o homem foi visto a fugir momentos após o incidente. A fase de produção de prova será crucial para esclarecer os factos, com várias testemunhas ainda a serem ouvidas.
Testemunhos Chave no Tribunal
A tia da vítima, que a acolhia em casa, já prestou depoimento. Ela relatou que Sofia chegou a casa de madrugada, enrolada numa capulana, com a blusa manchada de sangue, o rosto inchado, olhos vermelhos e um ferimento na cabeça. A tia confirmou a rotina da sobrinha, que saía para a escola às 16h00 e regressava por volta das 21h30. Sofia, visivelmente traumatizada, descreveu ter sido puxada pelas costas, apertada no pescoço e agredida na cabeça. Uma vizinha terá devolvido, no dia seguinte, a calça e a roupa íntima da vítima, encontradas na vala de drenagem.
Outras testemunhas importantes incluem o chefe de 10 casas da zona, que alegadamente acompanhou os factos, o agente da PRM responsável pelo auto de notícia, uma segunda tia da vítima e outras vizinhas que presenciaram a ocorrência. O Ministério Público descreve o crime como “monstruoso” e defende que uma condenação sirva de exemplo para desencorajar a violência sexual contra mulheres e crianças na sociedade. O suposto agressor é acusado de violação sexual na forma tentada, roubo e agressão física excessiva.



