Saúde

Governo quer reforçar educação nutricional nas escolas e unidades de saúde

A Primeira-Ministra de Moçambique, Benvinda Levi, defendeu recentemente a necessidade urgente de fortalecer a educação nutricional no país, sublinhando que esta iniciativa deve começar na base, com o envolvimento direto das escolas e das unidades de saúde, por serem os principais pontos de contacto diário e permanente com as comunidades.

A posição foi manifestada durante a abertura da VII Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), realizada a 13 de fevereiro em Maputo. Segundo um comunicado divulgado, a governante recordou que uma das orientações chave da sessão anterior do CONSAN era precisamente a massificação da educação nutricional, articulada com a produção local de alimentos. Foi observado que, em algumas regiões, produtos de elevado valor nutricional, apesar de serem produzidos localmente, não fazem parte da dieta das comunidades, sendo muitas vezes canalizados para outros fins.

Para um trabalho mais eficaz e baseado em dados concretos, Benvinda Levi frisou a urgência de operacionalizar o Sistema Nacional de Informação de Segurança Alimentar e Nutricional (SNISAN). Este sistema é crucial para garantir a recolha e o acesso a dados fiáveis, que são fundamentais para o trabalho intersetorial e para a melhoria contínua da qualidade da informação produzida sobre segurança alimentar e nutricional.

Avanços e Desafios na Segurança Alimentar

Na ocasião, a Secretária Executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Judith Mussácula, apresentou dados referentes ao período de janeiro a dezembro de 2025. De forma cumulativa, Moçambique registou uma disponibilidade de cerca de 57 mil toneladas de diversos produtos agrícolas, das quais 49 mil toneladas correspondem a milho destinado a responder a situações de emergência.

No âmbito do Programa de Reabilitação Nutricional, foram admitidas 164.670 crianças. Destas, 74.260 (45%) apresentavam Desnutrição Aguda Grave e 90.410 (55%) Desnutrição Aguda Moderada. É encorajador notar que aproximadamente 92% das crianças acompanhadas evoluíram para a cura.

Relativamente ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PRONAE), o comunicado indica que foi assegurada uma refeição diversificada e balanceada a 575.062 alunos em 1.042 escolas, o que representa uma cobertura de 8%. Em contextos de emergência, mais de 19 mil alunos de 41 escolas beneficiaram de lanche misto (quente e seco) nas províncias de Cabo Delgado (distritos de Macomia e Palma) e Sofala (distrito de Caia).

O documento destaca igualmente a formação de 190 técnicos em estratégias de abordagem transversal da Educação Alimentar e Nutricional no processo de ensino e aprendizagem. Adicionalmente, mais de 400 técnicos responsáveis pela produção escolar foram capacitados em técnicas de instalação e utilização de hortas como ferramenta pedagógica. Neste mesmo período, foram instaladas mais de 300 hortas em escolas abrangidas pelo programa.

Os programas de assistência social também tiveram um impacto significativo, apoiando 578 mil beneficiários, o que corresponde a uma realização de 82,75%. O Governo realça que estas iniciativas promovem a coesão social, restauram a dignidade das famílias vulneráveis e fortalecem a resiliência comunitária.

O Governo reiterou que a natureza transversal da Segurança Alimentar e Nutricional exige a conjugação de esforços entre diferentes setores governamentais e atores não-governamentais, incluindo a sociedade civil, o setor privado, a academia e parceiros de cooperação, a todos os níveis, para garantir um futuro mais saudável e seguro para Moçambique.

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