Reduzem exportações de pescado

As exportações moçambicanas de produtos pesqueiros registaram uma descida significativa de 16% no ano passado, um cenário que acende um alerta sobre a necessidade de diversificação de mercados e adaptação às mudanças climáticas.

Dados do Instituto Nacional de Inspecção do Pescado (INIP) revelam que o país exportou cerca de 8 mil toneladas de pescado em 2025, um valor inferior às 10 mil toneladas registadas em 2024. Esta redução é multifacetada, com fatores internos e externos a contribuírem para o declínio.

Causas da Quebra nas Exportações
Um dos principais entraves foi a dificuldade de acesso ao mercado chinês, um parceiro comercial importante. A falta de um protocolo assinado entre os dois países impediu a entrada de produtos pesqueiros moçambicanos na China, comprometendo uma fatia considerável das vendas.
Além disso, problemas na colocação do peixe nos mercados tradicionais e a dificuldade em explorar novos pontos de venda agravaram a situação. A dependência de mercados estabelecidos e a lentidão na diversificação revelaram-se vulnerabilidades.
Impacto das Mudanças Climáticas
As alterações climáticas também desempenharam um papel crucial nesta redução. A baixa disponibilidade de certas espécies, resultante da escassez de água no rio Zambeze, foi um fator determinante. A diminuição dos níveis de água leva ao aumento da turbidez, dificultando a pesca e, consequentemente, a captura de peixe para exportação.
Perspetivas Futuras
O cenário para este ano não é muito animador. O Governo prevê uma estagnação na atividade piscatória em 2026, com um crescimento residual de apenas 0,3% nas capturas, atingindo um total de 549 mil toneladas. A pesca artesanal deverá continuar a liderar a produção, mas a recuperação das exportações dependerá de medidas eficazes para superar os desafios atuais.
É fundamental que Moçambique agilize a assinatura de acordos comerciais e invista em práticas de pesca sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas para inverter esta tendência.


