Justiça sul-africana adia leitura da sentença do político Julius Malema adiada

A leitura da sentença do líder político sul-africano Julius Malema, conhecido pela sua postura radical de esquerda, foi novamente adiada. A decisão, tomada na passada sexta-feira, empurra o desfecho do caso para o dia 15 de Abril, com a possibilidade de se estender até 16 de Abril, trazendo mais expectativa para o futuro do controverso político.

Adiamento e Razões Apresentadas
Malema compareceu ao tribunal de magistrados de East London para a esperada leitura da sua pena. Contudo, a magistrada Twanet Olivier optou por adiar o processo, citando razões de segurança e a necessidade de não divulgar o local exato da audiência para evitar “mal-entendidos”. A magistrada prometeu que a informação sobre o local será partilhada mais perto da data marcada.

Recomendações da Defesa
Durante a audiência, Jessie Thompson, uma assistente social e advogada, testemunhou a favor de Malema. Ela sugeriu que o político fosse multado de forma a refletir a gravidade das infrações, que fosse impedido de obter licença de porte de arma por um período determinado e que fizesse uma doação monetária à Gun Free South Africa, uma organização não-governamental dedicada à redução da violência armada no país.
Apoio Popular e Acusações Anteriores
Milhares de apoiantes do partido Combatentes da Liberdade Económica (EFF), liderado por Malema, reuniram-se em frente ao tribunal, exibindo cartazes e faixas vermelhas em sinal de apoio. Este adiamento segue-se a uma condenação em 1 de Outubro, onde Malema foi considerado culpado de cinco acusações, incluindo o disparo ilegal de arma de fogo em área pública e posse ilegal de arma e munição. O EFF, por sua vez, classificou a decisão como “politicamente motivada” e “irracional”.
A Posição da Justiça e Outras Controvérsias
A Procuradoria Nacional da África do Sul (NPA) reafirmou o seu compromisso com o Estado de Direito, garantindo que a administração da justiça é feita sem receios ou favores. Jacques Broodryk, porta-voz da AfriForum para a Segurança Comunitária – organização que apresentou a queixa inicial contra Malema –, destacou que as provas contra o político são esmagadoras e que a justiça prevalecerá, independentemente do tempo que demore.
É importante recordar que, em 27 de Agosto, Julius Malema já havia sido considerado culpado de incitamento ao ódio por, num comício de 2022, ter encorajado os seus apoiantes a “nunca terem medo de matar”. O caso atual remonta a 28 de Julho de 2018, quando Malema disparou uma arma para o ar durante um comício, desencadeando a queixa-crime da AfriForum. A África do Sul possui leis rigorosas sobre controlo de armas, com penas que podem chegar a 15 anos de prisão por delitos desta natureza.



