Fiel perde 1 milhão e 200 mil meticais na Igreja Universal

Uma situação invulgar envolvendo fé e finanças está a captar a atenção no Brasil, onde uma ex-fiel da Igreja Universal do Reino de Deus busca na justiça a devolução de uma doação significativa feita à instituição após ganhar na lotaria.

O caso, que envolve um montante de 101 mil reais, está atualmente a ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) brasileiro. A mulher alega ter entregue o valor à igreja sob a promessa de que alcançaria prosperidade financeira e familiar. Contudo, arrependida e sem o retorno esperado, decidiu recorrer aos tribunais para reaver o dinheiro.

Em primeira instância, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) acolheu o pedido da dona de casa e ordenou que a instituição religiosa devolvesse os fundos. A Igreja Universal, no entanto, contestou a decisão, apresentando um recurso que foi novamente rejeitado pelo TJDFT, o que levou o processo a subir para o STJ.
No tribunal superior, o ministro relator Ricardo Villas Bôas Cueva já se pronunciou a favor da confirmação da anulação da doação. Contudo, o julgamento foi interrompido em setembro, após um pedido de vista do ministro Moura Ribeiro, e a sua retoma é aguardada com expectativa para a próxima semana.
A mulher, que frequentou a Igreja Universal entre 2006 e 2020, afirmou que a doação foi motivada por ensinamentos de um pastor, que assegurava que contribuições religiosas trariam êxito financeiro, profissional e pessoal.
A defesa da Igreja Universal argumenta que dízimos e ofertas são manifestações de fé e livre vontade, não estando sujeitos às exigências do Código Civil brasileiro sobre escrituras públicas para doações. A instituição insiste que a ex-fiel fez a doação por iniciativa própria.
O desfecho deste julgamento no STJ é crucial, pois poderá estabelecer um precedente importante sobre a validade de doações religiosas em casos de arrependimento. Este processo reacende o debate sobre os limites legais e éticos da fé e das contribuições financeiras em contextos religiosos.



