Sociedade

Etiópia detém nove tiktokers por “vestuário indecente” e conteúdos considerados impróprios

As autoridades etíopes prenderam esta semana nove criadores de conteúdo do TikTok, acusando-os de usar roupas consideradas “indecentes” e de publicar materiais que violam os valores culturais do país. Este episódio acende o debate sobre a liberdade de expressão face às normas sociais profundamente enraizadas na Etiópia.

As Razões das Detenções

Seis dos detidos foram presos devido às roupas que usaram no Ethiopia Creative Awards, um evento dedicado a influenciadores digitais que decorreu há cerca de duas semanas. Entre eles, destaca-se Adonay Berhane, um criador de conteúdo motivacional e de estilo de vida, com quase quatro milhões de seguidores, que foi fotografado com uma camisa de colarinho aberto. A sua mãe, Abeba Gebru, manifestou surpresa à BBC Tigrinya, afirmando que o filho era um exemplo para a juventude etíope.

Outros casos incluem Wongelawit Gebre Endrias, conhecida como Evan, detida por usar um blazer oversized sem sutiã, e Yohannes Mekonnen, ou Jahnny, visado pela polícia por usar uma bolsa masculina.

Conteúdos Digitais e a Posição Policial

Os restantes criadores foram detidos por conteúdos partilhados na plataforma TikTok. A polícia indicou que alguns usaram a rede social para promover comportamentos considerados inadequados, mencionando especificamente dois utilizadores envolvidos num “ato inapropriado” durante uma transmissão ao vivo. Em comunicado, as autoridades afirmaram que os conteúdos violavam o “bom comportamento e a ética”, sublinhando a importância de respeitar os valores culturais do país.

Debate Social e Advertências

As prisões geraram um debate intenso nas redes sociais da Etiópia. Defensores dos influenciadores veem as detenções como um ataque à criatividade e à liberdade de expressão. Em contrapartida, setores mais conservadores apoiam a ação policial, argumentando que as figuras públicas devem aderir às normas culturais etíopes.

Embora o governo etíope não tenha comentado oficialmente, a polícia federal emitiu um aviso, indicando que outras medidas poderão ser tomadas contra quem “violar os valores culturais do país” ou promover o que descreveram como uma “cultura superficial”. Com mais de oito milhões de utilizadores de redes sociais, este incidente realça o conflito crescente entre a expansão da cultura digital e as tradições sociais profundamente enraizadas na Etiópia.

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