Venâncio Mondlane acusa Governo de retirar milhões aos professores todos os meses

O líder político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou recentemente que os professores do país estão a sofrer descontos significativos nos seus salários, acusando o Governo de retirar milhões de meticais mensalmente sob o pretexto de um fundo para medicamentos.

Numa transmissão ao vivo nas redes sociais, Mondlane explicou que cada docente tem um desconto mensal de 1,5% do seu vencimento, o que corresponde a 225 meticais. Ao considerar uma estimativa de 170.000 professores em Moçambique, o valor total subtraído ascende a cerca de 45 milhões de meticais por mês, atingindo a marca de aproximadamente 535 milhões de meticais anualmente.

Mondlane questionou a lógica por trás destes descontos, apontando para a desproporção entre os valores retirados e os benefícios concedidos. Segundo ele, quando um professor ou um familiar precisa acionar o subsídio de morte, o valor pago é de apenas 10.000 meticais. Para agravar a situação, o pagamento destes subsídios é frequentemente atrasado, podendo levar um a dois anos até que os beneficiários recebam o montante devido.
Esta denúncia soma-se a outras queixas já existentes no setor da educação. Os professores moçambicanos têm vindo a manifestar a sua insatisfação com atrasos no pagamento de horas extras e a incerteza em relação ao 13.º salário. Estas preocupações têm sido o motor de vários protestos e paralisações pontuais nos últimos anos, evidenciando um crescente descontentamento na classe.



