Economia

Moçambique é o país que mais paga juros da dívida em relação às exportações no ranking global, diz Banco Mundial

Moçambique encontra-se numa posição preocupante a nível global, liderando a lista dos países mais vulneráveis ao peso da dívida externa. Segundo o mais recente Relatório da Dívida Internacional, divulgado pelo Banco Mundial, o país africano tem os maiores encargos com juros em proporção às suas receitas de exportação.

A Realidade da Dívida Moçambicana

Em 2023 e 2024, Moçambique destacou-se negativamente como a economia que mais pagou juros da sua dívida externa, quando comparado com o valor das exportações. Este facto coloca o país numa lista de cinco nações que enfrentam desafios semelhantes, onde também figuram o Senegal, a Mongólia, o Egipto e a Colômbia.

A análise do Banco Mundial também revela que Moçambique está entre os cinco países com a mais alta relação entre os pagamentos de juros e o Rendimento Nacional Bruto (RNB), ao lado da Mongólia, Angola, Senegal e Líbano. Esta dupla presença no topo destas listas é um sinal claro de um desequilíbrio estrutural, onde os recursos gerados pela economia real não são suficientes para cobrir os compromissos financeiros da dívida.

Contexto Global e Impacto Social

A situação de Moçambique não é isolada, mas reflecte uma tendência preocupante a nível mundial. Os países em desenvolvimento, no geral, pagaram cerca de 49,4 biliões de meticais em juros e amortizações da dívida externa entre 2022 e 2024. Este valor é alarmantemente superior ao montante que receberam em novos financiamentos no mesmo período, marcando o maior défice líquido em mais de meio século.

Especificamente, os encargos com juros em 2024 absorveram cerca de 27,6 biliões de meticais. O Banco Mundial sublinha que este montante é desproporcional e compromete seriamente a capacidade dos países de investirem em áreas sociais cruciais como a saúde e a educação, que têm necessidades urgentes e prementes.

Alerta e Recomendações do Banco Mundial

Indermit Gill, Economista-Chefe do Grupo Banco Mundial, emitiu um alerta sério, afirmando que os países em desenvolvimento “não estão fora de perigo”. Ele aconselhou os decisores políticos a agirem com prudência, aproveitando qualquer margem de manobra financeira disponível, em vez de se precipitarem para os mercados externos de dívida, o que poderia agravar ainda mais a situação.

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