INE: Preços sobem o dobro em Janeiro devido a constrangimentos logísticos

Maputo – Os preços dos produtos e serviços em Moçambique dispararam em Janeiro, subindo mais do dobro do que em Dezembro do ano passado. Esta subida acentuada, impulsionada principalmente pela divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas, é resultado dos graves problemas logísticos causados pelas cheias que atingiram o país, especialmente na região Sul.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou esta quarta-feira que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou um aumento de 1,26% em Janeiro de 2026. Este valor é significativamente superior aos 0,55% registados em Dezembro, evidenciando uma pressão inflacionária considerável no início do ano.

A principal razão para este agravamento deve-se à interrupção total do tráfego na Estrada Nacional Número 1 (N1), uma via vital para o transporte de mercadorias. As cheias, que afetaram severamente o Sul do país entre meados de Janeiro e o início de Fevereiro, cortaram as cadeias de abastecimento, fazendo com que a oferta de produtos essenciais diminuísse nos mercados.
O Que Mais Encareceu?
Vários produtos alimentares viram os seus preços subir de forma alarmante. O coco foi o que mais aumentou, com uma subida de 53%. Seguem-se a alface (29,6%), a couve (17,2%), o tomate (16,3%) e a cebola (14,8%). O INE destaca que estes produtos, juntamente com o carvão vegetal e o peixe seco, foram os que mais contribuíram para a variação mensal dos preços, com cerca de 0,83 pontos percentuais positivos.
Inflação: Um Olhar para Trás
É importante lembrar que, durante o ano de 2025, Moçambique já tinha registado um aumento geral de preços de 3,23%. A inflação acumulada no ano passado fechou em 4,15%, mostrando um abrandamento em relação aos 5,3% de 2023. No entanto, mesmo com a pressão atual das cheias, os números de Janeiro ainda estão longe do pico de quase 13% que se registou em Julho de 2022.
Apesar do susto inicial em Janeiro, a expectativa é que, com a normalização das condições climáticas e logísticas, os preços possam estabilizar. No entanto, a situação serve de alerta para a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento do país face a eventos naturais.


