Consumidor

Quero o meu dinheiro!”: Mãe de 6 filhos luta há mais de um ano contra gigante bancário

A confiança dos moçambicanos nos bancos está abalada. Martina Miguel, mãe de seis filhos, de Pemba, vive um pesadelo há mais de um ano, lutando contra o Banco Comercial de Investimentos (BCI) para reaver 6.500 Meticais que desapareceram da sua conta após uma alegada falha numa caixa ATM.

O Calvário de Martina Miguel

Tudo começou a 4 de setembro de 2024. Martina foi a uma caixa ATM do BCI no bairro Wimbe, em Pemba, para levantar o seu salário. Ao introduzir o cartão, a máquina desligou-se de repente. Passados 30 minutos, sem cartão nem dinheiro, recebeu um alerta no telemóvel: 6.500 Meticais tinham sido levantados da sua conta.

O mais estranho é que o banco afirma que o levantamento aconteceu numa ATM no aeroporto de Pemba, um local distante de onde Martina se encontrava no momento da falha. Esta contradição marca o início de uma longa e frustrante batalha.

Uma Luta Contra a Burocracia

Ao longo de mais de um ano, Martina enfrentou várias dificuldades com o BCI:

  • **Culpabilização**: Funcionários do banco insinuaram que ela teria dado o PIN a terceiros, ignorando a sua versão sobre a falha da máquina.
  • **Acesso a Imagens**: Foi muito difícil conseguir ver as gravações das câmaras de segurança (CCTV). Quando finalmente conseguiu, em dezembro de 2025, o banco só mostrou pequenos vídeos de um minuto, recusando-se a exibir a gravação completa do tempo em que ela esteve na ATM.
  • **Falta de Resposta**: Apesar de ter enviado cartas ao BCI e ao Banco de Moçambique, a resposta sobre o reembolso nunca chegou. Embora o Banco de Moçambique tenha multado o BCI em 2025 por não proteger os consumidores, o caso de Martina continua sem solução.

Falhas ou Esquemas?

Fontes internas do próprio banco, que preferiram não ser identificadas, revelam que o “engolimento” de cartões e as interrupções nas caixas ATM são comuns e podem facilitar fraudes. A Lei nº 27/2022 é clara: o banco tem a responsabilidade de garantir a segurança das transações e deve compensar os clientes por operações não autorizadas que resultem de falhas nos seus serviços.

Até agora, o BCI não deu uma resposta formal ao pedido de esclarecimentos da imprensa, preferindo tentar agendar reuniões presenciais. Enquanto isso, Martina Miguel, com seis filhos para sustentar, continua à espera do seu dinheiro, que desapareceu há mais de um ano.

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