Graça Machel afirma que manifestações foram legítimas, mas houve infiltrados

Graça Machel, uma das vozes mais respeitadas em Moçambique, pronunciou-se sobre as recentes manifestações que abalaram o país, defendendo que a intenção original dos protestos era legítima e que não se deve condenar todo o movimento. A ativista sublinha que, apesar da necessidade de os organizadores apresentarem os devidos detalhes como rotas e pontos de concentração, a motivação inicial era válida.

Infiltração e a Realidade dos Protestos
Machel alertou, contudo, para a infiltração dos protestos por indivíduos com intenções criminosas. “Eu espero que os organizadores reconheçam isso. As manifestações foram infiltradas. Entraram pessoas que tinham, de facto, intenção de cometer crimes”, afirmou, destacando a importância de separar os agitadores dos manifestantes genuínos.

Além dos elementos infiltrados, a líder social explicou que um grupo significativo de jovens em situação de vulnerabilidade aderiu espontaneamente aos protestos. “A maior parte dos jovens que aderiram são meninos. Eles juntaram-se porque tinham fome”, revelou Machel, enfatizando a dimensão social por trás da participação desta camada da população.
A ativista fez questão de diferenciar as ações destes jovens dos atos de destruição mais graves. “Não foram os meus meninos que queimaram fábricas. Os meus meninos atacaram armazéns porque estavam com fome e levaram comida para casa”, explicou, pedindo uma análise mais matizada dos acontecimentos.
Eleições e a Base da Contestação
Um dos pontos centrais abordados por Graça Machel foi a contestação às eleições, que, na sua perspetiva, foram mal organizadas. Para Machel, é fundamental reconhecer este fator como uma das principais motivações das manifestações, a fim de se compreender a profundidade do descontentamento que levou as pessoas às ruas.



