Segurança

Operação do SERNIC para deter agentes do GOE termina sem sucesso na Matola

Uma operação do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) para prender agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE), suspeitos de envolvimento num assassinato, terminou sem sucesso e num ambiente de grande tensão na Matola, na passada quarta-feira. O Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) esteve cercado por horas, mas os visados conseguiram escapar.

O Motivo da Operação

A ação do SERNIC, que teve início por volta das 9h00, tinha como objetivo deter três agentes do GOE. Estes são suspeitos de terem participado no assassinato de João Paulo, um agente do próprio SERNIC, que foi morto a tiro a 3 de janeiro no bairro do Fomento. A investigação procurava esclarecer a morte do colega.

Horas de Tensão na Matola

Durante grande parte do dia, agentes do SERNIC, fortemente armados, mantiveram o Comando Provincial da PRM cercado, exigindo a entrega de pelo menos um dos suspeitos que se teria refugiado nas instalações policiais. Fontes ligadas à investigação, que preferiram não ser identificadas, revelaram que dois indivíduos chegaram a ser detidos durante a operação, incluindo um cidadão conhecido como Magule, alegadamente informante do GOE e afecto à Terceira Esquadra. Havia ainda outros mandados de captura, incluindo para um agente identificado como Agostinho Vinte.

A situação escalou ao final da tarde, por volta das 17h00, quando novas equipas do GOE chegaram ao local, levantando suspeitas de uma possível tentativa de resgate do agente procurado. O ambiente era descrito como muito delicado e instável, com receios de que pudessem ocorrer confrontos armados se não fosse encontrada uma solução rápida.

A Reação das Autoridades e a Fuga

Contactado na altura, o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, recusou-se a prestar declarações, afirmando que os seus colegas ainda estavam “no terreno a trabalhar” e que se pronunciariam posteriormente. Já no período da noite, perto das 21h00, uma movimentação suspeita foi observada nas imediações do Comando Provincial. Pouco depois, três viaturas, duas delas da marca Mahindra, abandonaram o local em alta velocidade, sendo que uma transportava agentes na traseira, numa aparente operação de fuga.

Apesar da presença de cerca de 15 agentes da PRM com coletes à prova de bala a proteger o portão principal, os elementos do SERNIC apenas acompanharam a saída dos veículos, sem qualquer intervenção direta. Uma fonte do SERNIC indicou que os agentes do GOE terão sido retirados do local pelos seus próprios colegas, mas garantiu que as diligências de investigação iriam continuar.

Questões em Aberto

Após a saída dos veículos, os agentes do SERNIC reuniram-se nas imediações do Comando Provincial. Até ao momento, não houve qualquer comunicação oficial sobre as razões do insucesso da operação ou sobre eventuais responsabilidades institucionais, deixando muitas perguntas sem resposta sobre este incidente que expôs tensões entre diferentes forças de segurança.

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