Segurança

Emboscadas forçam abandono temporário da N380 em Cabo Delgado

A nova onda de ataques em Cabo Delgado levou à interrupção do tráfego na Estrada Nacional 380 (N380), uma via crucial para o abastecimento de vários distritos do norte da província. A situação, que se agravou na última semana, obrigou os transportadores a usar rotas alternativas, mais longas e precárias.

Ameaça na N380

Transportadores rodoviários confirmaram que, entre sábado e domingo, a circulação na N380 foi suspensa, forçando a adoção temporária da rota de Nairoto. Esta alternativa, maioritariamente em terra batida, é mais demorada e difícil de percorrer, especialmente na época chuvosa, resultando em mais custos e tempo de viagem para quem precisa chegar a Mueda, Nangade, Mocímboa da Praia ou Palma.

Os incidentes têm-se concentrado no troço entre Macomia-sede e Awasse, perto das aldeias de Chitunda e Xitaxi. Esta área, com muita floresta, é propícia a emboscadas, reduzindo a visibilidade e facilitando os ataques. Na quinta e sexta-feira, grupos insurgentes atacaram comboios que seguiam com escolta militar, danificando camiões e roubando mercadorias, conforme mostram imagens que circularam em grupos locais.

Armamento Pesado e Reivindicação

Os atacantes estão a usar armamento pesado, como RPG-7, metralhadoras PKM e engenhos explosivos, conseguindo dispersar as viaturas mesmo quando acompanhadas por militares e agentes da polícia. O grupo Estado Islâmico já reivindicou estes ataques através dos seus canais de comunicação, afirmando ter atingido forças moçambicanas e ruandesas e capturado material de guerra.

Apesar de não haver registo de mortes nesta última série de emboscadas, os estragos materiais foram consideráveis. A interrupção do tráfego na N380 põe em risco o abastecimento de produtos essenciais aos distritos mais a norte, que dependem das cargas que chegam dos portos de Pemba e Nacala. A ajuda humanitária também pode ser seriamente afetada, já que grande parte é transportada por esta via.

Impacto dos Projetos de Gás

O aumento do movimento de pessoas e mercadorias na região, impulsionado pela retoma gradual dos projetos de gás natural, é visto por observadores locais como um fator que eleva a vulnerabilidade a ataques. Por isso, garantir a segurança na N380 tornou-se uma prioridade urgente para as autoridades e para a população.

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