Sociedade

Professor denunciou corrupção, foi assassinado e agora Estado nega pagamento à família

O assassinato do professor Telvino Manuel Benedito, ocorrido em dezembro de 2023 no distrito de Mocuba, província da Zambézia, continua a chocar e a revoltar. Dois anos depois da sua morte, a família do docente e os seus colegas denunciam que a Direção Distrital de Educação ainda não pagou os subsídios fúnebres e outros valores que lhes são devidos, num caso que mistura corrupção, impunidade e desrespeito pela memória de quem lutou pela verdade.

A Luta de Telvino Contra a Corrupção

Telvino Manuel Benedito não era um professor qualquer; ele era uma voz corajosa contra a corrupção no ensino. Meses antes de ser morto, o professor expôs publicamente, inclusive na imprensa, um esquema de extorsão e descontos ilegais nos salários que prejudicava muitos professores da região. Esta atitude de denúncia, que visava proteger os seus colegas, pode ter sido a causa da sua trágica morte.

As circunstâncias do crime são bastante suspeitas: Telvino terá sido atraído para um encontro com o pretexto de resolver assuntos financeiros ligados às suas denúncias. Pouco depois, foi encontrado sem vida, com sinais claros de violência, sugerindo uma emboscada e, para muitos, uma “queima de arquivo” para silenciar a sua voz.

O Abandono e a Impunidade Persistem

Actualmente, o caso de Telvino Manuel enfrenta duas grandes e dolorosas realidades:

Negligência Financeira: A Direção Distrital de Educação, ao recusar ou atrasar o pagamento dos subsídios de morte, está a ser vista pela comunidade educativa como uma continuação da perseguição que o professor sofreu em vida. Esta atitude é encarada como um desrespeito grave à memória de um homem que deu a vida pela integridade da educação moçambicana, como referiu um colega sob anonimato.

Estagnação Judicial: Apesar dos apelos de organizações como o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), as investigações do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) não avançaram significativamente. Até agora, os mandantes do crime não foram responsabilizados, o que alimenta um forte sentimento de impunidade na província da Zambézia e deixa a família e a sociedade sem respostas concretas. A justiça para Telvino Manuel parece estar cada vez mais distante.

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