Operações de emergência já salvaram mais de 19 mil cidadãos no sul do país

As cheias e inundações que têm fustigado o sul de Moçambique levaram à retirada de mais de 19 mil pessoas de zonas de alto risco nas províncias de Maputo e Gaza, num esforço concertado de salvamento e assistência humanitária.

Um total de 19.254 cidadãos foram resgatados até agora, sendo 11.693 na província de Maputo e 7.561 em Gaza. Estes dados foram partilhados pelo Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, que destacou a coordenação do Governo com parceiros nacionais e internacionais. As operações de salvamento estão a cargo de equipas da Unidade Nacional de Protecção Civil (UNAPROC), com o apoio de 63 efectivos, 44 embarcações, quatro aeronaves, nove helicópteros e uma viatura anfíbia. Além disso, bombeiros de resgate e salvamento operam 24 horas por dia, reforçados por mais de 160 voluntários da Cruz Vermelha e outras organizações humanitárias, que apoiam os centros de acolhimento.

No que toca à assistência humanitária, o Executivo ativou mecanismos de emergência para garantir ajuda alimentar e não alimentar às comunidades mais vulneráveis. As províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Manica e a Cidade de Maputo estão a receber apoio através de 94 centros de acolhimento, geridos pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), sem registo de problemas significativos.
Soluções de Transporte e Abastecimento
A interrupção da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) levou o Governo a reforçar as alternativas de transporte. Entre 19 e 23 de janeiro, as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) realizaram 42 voos, transportando 3.014 passageiros. Devido à alta procura, a companhia aumentou para seis voos diários. Para complementar, foi inaugurada, a partir de 26 de janeiro, uma ligação marítima entre Maputo e Chongoene, operada por uma embarcação mista capaz de transportar cerca de 100 passageiros e mercadorias essenciais, numa viagem de seis horas.
Ainda no transporte, está prevista a utilização da linha ferroviária entre Magude e a vila da Macia para evacuar cidadãos isolados, com autocarros a assegurar o transporte até à estação. Quanto ao abastecimento, o Governo reuniu-se com empresários de Sofala para garantir o fornecimento de bens essenciais, incluindo combustíveis, a partir da Beira, enquanto as limitações logísticas em Maputo e Gaza persistirem.
Situação Hidrológica e Próximos Passos
No plano hidrológico, as barragens de Pequenos Libombos e Massingir registam descidas nos níveis de armazenamento, com Massingir dentro da cota de segurança e descargas sem impacto significativo no Baixo Limpopo. Contudo, mantém-se a vigilância sobre a barragem de Senteeko, na África do Sul, devido ao risco de colapso que poderia afetar o caudal do rio Incomáti e causar inundações nos distritos de Moamba, Magude e Manhiça. Uma equipa técnica moçambicana está na África do Sul para monitoria conjunta.
Em resposta à gravidade da situação, o Ministro Inocêncio Impissa anunciou que, por decisão do Presidente da República, Daniel Chapo, o Conselho de Ministros de 27 de janeiro terá lugar na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, para avaliar a fundo o ponto de situação das cheias e inundações que continuam a afetar o país.



