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Cabo Delgado: “Insurgência já provocou mais de seis mil mortes desde 2017” – ACLED

Mais de seis mil pessoas perderam a vida em Cabo Delgado desde 2017, vítimas da insurgência que assola a província, segundo um relatório recente da ACLED, uma organização de monitorização de conflitos.

Os dados atualizados pela ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) indicam que um total de 6.418 mortes foram registadas desde outubro de 2017, num universo de 2.298 eventos violentos. A grande maioria destes eventos, 2.133 para ser exato, envolveu grupos associados ao Estado Islâmico em Moçambique (EIM).

Ataques Continuam Apesar das Chuvas

Apesar de uma diminuição da violência política no final de 2025, atribuída à estação chuvosa que restringe a mobilidade tanto dos insurgentes quanto das Forças de Defesa e Segurança (FDS), a atividade do EIM não cessou por completo. Contrariando padrões de anos anteriores, o grupo manteve-se ativo, especialmente ao longo da costa nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Palma.

O relatório mais recente da ACLED, que cobre o período de 8 de dezembro de 2025 a 11 de janeiro de 2026, documenta 17 incidentes de violência, resultando em 13 óbitos. Estes números evidenciam a resiliência dos grupos armados mesmo sob condições climáticas adversas.

Confrontos Diretos e Novas Táticas

A ACLED destaca uma “nova seriedade” nos confrontos em Cabo Delgado, com as forças moçambicanas e os seus parceiros ruandeses a travarem batalhas diretas contra os insurgentes. Um incidente particularmente grave ocorreu a 24 de dezembro, na zona de Cogolo, em Macomia, onde um ataque insurgente vitimou cinco soldados das Forças de Defesa do Ruanda (RDF).

Adicionalmente, a 9 de janeiro, um veículo militar, alegadamente das forças ruandesas, foi atingido por um engenho explosivo improvisado (IED) na estratégica estrada N380, uma via crucial para a logística da província. Este ataque sublinha a persistência da ameaça nas principais rotas de comunicação e a capacidade dos insurgentes de adaptar as suas táticas.

Para além da violência armada, o relatório da ACLED alerta para a crescente fragilidade do tecido social no norte de Moçambique. A conclusão é que, apesar de todos os esforços militares, a insurgência demonstra uma notável capacidade de recuperação, e o conflito de “baixa intensidade” deverá continuar a impactar a vida das comunidades de Cabo Delgado ao longo de 2026.

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