Paciente declarado livre de HIV após transplante de células-tronco desafia práticas tradicionais

Em Moçambique e no mundo, a luta contra o HIV/SIDA continua a ser uma prioridade de saúde pública. É por isso que uma notícia vinda da Alemanha está a dar que falar e a acender uma nova esperança: um homem foi declarado livre do vírus da imunodeficiência humana (HIV) depois de um transplante de células-tronco.

Este é o sétimo caso registado de remissão de longo prazo da doença, um marco significativo para a ciência e para as pessoas que vivem com o vírus.

Um Caso Único que Muda Tudo
O que torna este caso particularmente especial e inovador é o facto de o paciente ter recebido células de um dador que possuía apenas uma cópia da mutação genética CCR5-Δ32. Esta mutação oferece uma resistência parcial ao HIV. Até agora, todos os casos de cura documentados envolviam doadores com duas cópias desta mutação, uma condição rara que impede completamente o vírus de entrar nas células de defesa do corpo.
Mais de sete anos depois de ter parado de tomar a terapia antirretroviral, o paciente não apresenta sinais do vírus no seu organismo. Os investigadores sugerem que a resposta imunitária do dador pode ter tido um papel crucial na eliminação das células infetadas, contrariando a ideia de que só a resistência genética total levaria à cura.
Limitações e Futuro da Pesquisa
Apesar de ser uma grande vitória para a ciência, os especialistas alertam que o transplante de células-tronco é um procedimento de alto risco. Ele é reservado apenas para pacientes que já sofrem de cancros do sangue, o que significa que não é uma solução viável para a maioria das pessoas que vivem com HIV.
No entanto, este avanço é um “prova de conceito” importante. Ele reforça a possibilidade de, no futuro, desenvolver terapias mais seguras e acessíveis. Estamos a falar de técnicas como a edição genética das células imunitárias ou vacinas que atacam diretamente os “esconderijos” do vírus no corpo. Este resultado, embora não seja uma solução universal, promete redefinir as estratégias de combate ao HIV/SIDA e dar um novo fôlego à esperança de um mundo sem esta doença.



