Nacional

Venâncio Mondlane denuncia falhas do Estado e mobiliza ANAMOLA para apoio às vítimas das cheias

O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, fez uma intervenção pública para alertar sobre a situação das cheias em Moçambique, criticando duramente as falhas do Estado na gestão da crise e mobilizando a sua organização para prestar apoio humanitário às vítimas.

Em comunicado, o ANAMOLA informou que disponibilizou as suas sedes em todo o país – a nível provincial, distrital e de postos administrativos – para acolher e assistir as populações afetadas. Nestes locais, estão a ser providenciadas condições mínimas, como alimentos, medicamentos, vestuário e outros bens essenciais, com a ajuda de muitos cidadãos que têm contribuído com donativos.

As ações de resgate e apoio já se concretizaram em vários pontos. Famílias do bairro Hulene foram realojadas na Escola Primária de Laulane, enquanto em Nkobe, mais de 25 famílias receberam apoio. A sede provincial do ANAMOLA em Maputo acolheu 18 famílias deslocadas, e o partido tem vindo a alertar para a grave escassez de alimentos nos centros de acomodação, apelando à solidariedade da população.

Reconhecendo as dificuldades nas operações de resgate, especialmente em casos de saúde mais delicados, como o ocorrido em Tchalala, o ANAMOLA lançou um apelo a médicos dos setores público e privado para que ajudem, mesmo em período de greve. Todos os membros do partido foram convocados a envolver-se ativamente nas ações humanitárias, encarando-o como uma responsabilidade política e humana.

Críticas às Falhas do Estado e Desvio de Fundos

Venâncio Mondlane questionou a recorrência de desastres naturais previsíveis que se transformam em grandes tragédias no país. Ele apontou graves falhas de planeamento e execução por parte do Governo, lembrando que alertas da Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos e do Instituto Nacional de Meteorologia indicavam chuvas intensas e risco de cheias entre janeiro e março de 2026. Segundo Mondlane, um plano de contingência nacional deveria ter sido preparado desde outubro de 2025, o que não aconteceu.

O líder do ANAMOLA denunciou ainda alegados desvios de fundos públicos e internacionais destinados à gestão de desastres. Mencionou obras de má qualidade e o uso indevido de recursos em projetos sem ligação direta à prevenção de cheias. As críticas estenderam-se aos centros de acomodação, onde foram reportadas cobranças ilícitas em operações de resgate e a alegada recusa da Marinha em socorrer pessoas em perigo.

Compromisso do ANAMOLA e Apelo à Solidariedade

O ANAMOLA reiterou o seu compromisso em prestar assistência imediata às vítimas, tendo disponibilizado um edifício na 03 de Fevereiro para acolher desalojados. Contudo, o partido denunciou perseguições, detenções e intimidações contra os seus membros e cidadãos envolvidos nas ações humanitárias, incluindo famílias resgatadas que teriam sido posteriormente expulsas de centros oficiais.

Venâncio Mondlane apelou ao reforço da solidariedade nacional e à mobilização de todos os moçambicanos para apoiar as populações afetadas. Ele sublinhou que a assistência urgente deve ser acompanhada de responsabilização, transparência e o fim da impunidade, para quebrar o ciclo de tragédias anunciadas que afetam Moçambique.

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