Profissionais de saúde denunciam falta de medicamentos e agravam tensão com Governo

A tensão entre o Ministério da Saúde (MISAU) e os profissionais do sector em Moçambique atingiu um novo pico, com denúncias graves sobre a escassez crítica de medicamentos e as condições precárias nas unidades sanitárias públicas do país.

Crise no Sistema Nacional de Saúde
A Associação dos Profissionais de Saúde (APS) veio a público acusar o Governo de ignorar a dura realidade enfrentada nos hospitais e centros de saúde. Segundo a APS, o Executivo falha em dar uma resposta eficaz à crise que afeta profundamente o Sistema Nacional de Saúde (SNS), uma situação que, de acordo com a Eco TV, tem sido divulgada num ambiente de crescente atrito entre as partes.

Entre as preocupações mais urgentes está a ausência de medicamentos essenciais e material médico-cirúrgico, afetando até mesmo áreas críticas como os cuidados intensivos. Os profissionais relatam que a falta de fármacos básicos, como paracetamol e metronidazol injetáveis, compromete diretamente o tratamento dos pacientes e poderá estar ligada ao aumento de óbitos.
Condições Desumanas e Discurso Oficial
As denúncias incluem relatos alarmantes de doentes que enfrentam complicações sérias devido à falta de condições adequadas, evidenciando a enorme pressão sobre o sistema de saúde. Os profissionais afirmam estar a trabalhar em circunstâncias que classificam como desumanas, com poucos recursos e apoio institucional limitado.
Há também acusações de que as autoridades mantêm um discurso que não reflete a realidade vivida nas unidades sanitárias, insistindo na existência de medicamentos que, segundo os profissionais, simplesmente não chegam aos hospitais.
A classe alerta que a situação já ultrapassou níveis aceitáveis, com um impacto direto e devastador na vida da população, especialmente para aqueles que não têm acesso ao sector privado. Este impasse contínuo entre o Governo e os profissionais da saúde ameaça agravar ainda mais a qualidade da prestação de cuidados de saúde em todo o país.
Recorde-se que esta posição surge pouco depois de a Associação Nacional de Enfermeiros ter declarado desconhecer qualquer greve no sector, o que sugere divergências e complexidade nas relações entre os vários intervenientes.



