Educação

Extinção do curso nocturno pode comprometer qualidade

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) de Moçambique anunciou recentemente a extinção das aulas do ensino secundário no período noturno, uma decisão que reacende o debate sobre a qualidade da educação no país. A medida, apresentada como um “redimensionamento”, visa otimizar recursos e melhorar o desempenho, mas levanta sérias preocupações entre educadores e a sociedade.

As Razões do Ministério da Educação e Cultura

O MEC justifica a sua decisão com base em vários fatores, incluindo o baixo aproveitamento pedagógico dos alunos no turno noturno, os riscos de segurança associados às aulas noturnas e a alegada inadequação deste modelo às novas exigências educativas e do mercado de trabalho. O ministério propõe o ensino à distância como alternativa, argumentando que este oferece maior eficiência no uso de recursos, melhor qualidade pedagógica e maior equidade no acesso à educação. A ideia é que escolas com menos alunos inscritos no noturno os transfiram para instituições próximas, eliminando gradualmente este turno.

A Visão dos Professores Reformados

No entanto, esta visão não é partilhada por muitos, especialmente por professores reformados que dedicaram anos ao ensino noturno. Eles defendem a manutenção do turno, sublinhando que este serve como uma válvula de escape para o problema da superlotação nas turmas diurnas, onde é comum encontrar entre 60 a 70 ou mais alunos por sala, devido à falta de infraestruturas e docentes.

Jordão Mahumane, um professor reformado desde 2019, enfatiza a importância do acompanhamento presencial, especialmente para alunos com dificuldades de leitura. Para ele, o ensino à distância pode não garantir a dedicação necessária para o aprofundamento das matérias, prejudicando a aprendizagem. Mahumane também criticou a falha do Governo em saldar as dívidas de horas extras, o que poderia ter contribuído para a desmotivação.

Mário Macuácua, outro professor reformado, expressou surpresa com a medida. Na sua perspetiva, o curso noturno é apenas uma variação de horário, mantendo os mesmos professores e contextos do ensino diurno, o que deveria garantir uma qualidade equiparável. Macuácua alerta que o ensino à distância, ao afastar o aluno do professor e da sala de aula, pode piorar a qualidade, especialmente para adolescentes de 15 anos que necessitam de orientação contínua. Além disso, questiona a preparação do país para uma transição total para o ensino à distância, dada a persistente falta ou cortes de energia elétrica em muitos distritos.

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