Raptores apanhados a renegociar valor de resgate

A Polícia moçambicana conseguiu desmantelar uma quadrilha especializada em raptos e roubos à mão armada, que foi intercetada no preciso momento em que tentava renegociar o valor do resgate de uma das suas vítimas em Maputo. Sete indivíduos, muitos deles com um vasto historial criminal, estão agora a responder perante a justiça pelo processo-crime número 28/2024-A, que decorre na Décima Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo.

A Rede Criminosa
Os sete arguidos, com idades entre os 30 e 45 anos, formaram uma complexa rede criminosa. O Ministério Público indica que alguns deles se conheceram através da aplicação de transportes “Yango”, numa viagem entre Matola-Rio e o Terminal Interprovincial da Junta. Outros dois terão criado laços na cidade da Beira, durante uma festa de aniversário. Foi no terminal da Junta que as relações se aprofundaram e o plano para o rapto foi orquestrado, em Dezembro de 2024.

Para levar a cabo o crime, a quadrilha utilizou uma arma de fogo do tipo AK-47 e uma pistola, além de duas viaturas: uma “Ractis” de cor branca e um Toyota “Vanguard”. Foram também preparados dois imóveis para servirem de cativeiro. Dois concunhados estiveram envolvidos, sendo que um residente em Mukathine, Matola, convidou o outro, da Beira, para se deslocar a Maputo. Um dos comparsas, tio de um dos arguidos, encontra-se foragido na África do Sul e terá sido ele a fornecer as armas utilizadas no crime.
O Rapto do Empresário
A vítima escolhida foi um empresário moçambicano, administrador de duas empresas, residente na zona da Sommerchield. O grupo passou bastante tempo a estudar os movimentos do empresário, identificando os seus hábitos diários.
No dia 21 de Fevereiro de 2025, por volta das 7h00 da manhã, os criminosos, todos encapuzados, invadiram o parque de estacionamento da sede do Comité Olímpico de Moçambique. O empresário foi abordado no momento em que saía da sua viatura, uma Range Rover. Os raptores, que se deslocavam numa “Ractis” e num “Vanguard”, arrastaram-no à força para o interior de um dos carros. Perante a sua resistência, um dos assaltantes usou uma faca para o picar na perna direita, impedindo-o de escapar. As duas viaturas da quadrilha fugiram em alta velocidade, passando pelas avenidas Mateus Sansão Muthemba, Mártires da Machava, em direção à 24 de Julho. O empresário foi mantido em cativeiro por 72 dias, sob vigilância apertada.
A Exigência do Resgate
Durante o cativeiro, os raptores informaram a vítima que o seu alvo não era o dinheiro do empresário, mas sim do seu patrão, de nacionalidade portuguesa. Este último acabou por pagar a quantia de dez milhões de Meticais exigida pelos criminosos. Contudo, cerca de 21 dias após o pagamento inicial, os raptores exigiram mais dinheiro. Com a recusa do patrão em efetuar um pagamento suplementar, os comparsas decidiram transferir o empresário para um segundo cativeiro.



