Internacional

Groenlândia – a linha vermelha na aliança transatlântica?

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a principal aliança militar do Ocidente, está a atravessar um dos seus períodos mais tensos. Recentemente, a tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controlo da Groenlândia, um território que pertence à Dinamarca, gerou uma forte reação e um sinal claro de descontentamento por parte de vários países europeus.

Em resposta às ambições de Trump, alguns países europeus enviaram tropas para a Groenlândia. Embora formalmente descrita como uma “missão de reconhecimento”, esta acção foi, na verdade, um gesto político muito significativo. Os EUA, por sua vez, minimizaram a iniciativa europeia, insistindo que não mudaria a decisão de Trump. No entanto, para os analistas, este movimento europeu indica que os Estados Unidos estão a aproximar-se de uma “linha vermelha” que os seus próprios aliados não estão dispostos a ignorar, mostrando uma fissura na aliança transatlântica.

A Teoria da Estabilidade Hegemónica e a Groenlândia

Para entender melhor a dinâmica desta situação, podemos recorrer à teoria da estabilidade hegemónica. Esta teoria defende que o sistema internacional tende a ser mais estável quando existe um Estado dominante, ou “hegemonia”, que assume a liderança global. A estabilidade torna-se mais difícil de manter quando não há uma hegemonia clara ou quando o poder do Estado hegemónico começa a diminuir. Historicamente, a Grã-Bretanha desempenhou este papel no século XIX, e os Estados Unidos assumiram-no após a Segunda Guerra Mundial.

Uma hegemonia é caracterizada por uma distribuição de poder extremamente desigual, onde um único Estado poderoso consegue controlar ou influenciar significativamente os Estados mais pequenos dentro do sistema. Para ser considerado uma hegemonia, um Estado deve possuir capacidades militares, económicas e de segurança superiores, ter a vontade de liderar e, crucialmente, que a sua liderança seja aceite pelos outros grandes Estados. A aceitação dessa liderança pode vir através da persuasão, da coerção, da partilha de visões comuns ou do desejo de proteção. Neste contexto, o comportamento dos EUA em relação à Groenlândia pode ser interpretado como uma manifestação da dimensão “malevolente” dessa hegemonia, desafiando a coesão entre os seus aliados tradicionais.

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