Suicídio não se resume apenas à morte física

O jovem escritor moçambicano Glen Lucas, de apenas 24 anos, está a dar que falar no mundo literário com a sua obra “O Suicida”, que propõe uma visão inovadora e profunda sobre a morte. Reeditado recentemente na vila do Songo, em Tete, o livro desafia a ideia de que o suicídio se limita apenas ao ato físico de tirar a própria vida.

Uma Nova Perspetiva sobre a Morte
Em “O Suicida”, Lucas introduz uma “nova tipologia” de suicídio, onde a morte pode manifestar-se de formas menos óbvias, revelando-se em “tecido vivo, ambulante”. Esta abordagem sugere que muitos vivem em uma espécie de morte existencial, mesmo estando fisicamente presentes. A sua obra convida o leitor a refletir sobre a qualidade da vida que se vive e sobre os vazios que muitas vezes preenchem a existência humana.

Uma nota introdutória da obra descreve a pena de Lucas como guiada por uma “inquietação filosófica”. Ele explora temas como o vazio existencial, a liberdade e o psiquismo jurídico, usando o doutor Pedro Macosso como personagem principal para desvendar estas complexidades. Segundo o autor, “Esta não é a história de um médico. É solilóquio final de todo um homem que já se perguntou, no escuro, se a vida que vive é a sua, ou apenas um empréstimo mal pago ao mundo”.
Além de “O Suicida”: “A Sentença”
Além de “O Suicida”, Glen Lucas também é autor de “A Sentença”, um ensaio literário-filosófico. Nesta obra, o escritor, que também é formado em Direito, desdobra, com o que alguns chamam de “rara inteligibilidade e elegância”, o percurso histórico e conceptual do Direito. Ambas as obras solidificam a posição de Glen Lucas como uma voz promissora e pensante na literatura moçambicana, capaz de abordar temas complexos com sensibilidade e profundidade.
