Economia Digital

Carteiras móveis atingem cobertura de 124% da população adulta no terceiro trimestre de 2025

Moçambique está a testemunhar uma verdadeira revolução no acesso a serviços financeiros, impulsionada pelas carteiras móveis. Dados recentes do Banco de Moçambique revelam que, no terceiro trimestre de 2025, a cobertura das Instituições de Moeda Eletrónica (IME) alcançou uns impressionantes 123.8% da população adulta, um número que mostra o dinamismo deste setor no país.

A Ascensão das Carteiras Móveis e o Desafio à Banca Tradicional

Este valor representa um crescimento significativo em relação aos trimestres anteriores, partindo de 99.2% em Setembro de 2024 e subindo de 118.7% no segundo trimestre de 2025. Enquanto as carteiras móveis disparam, a banca tradicional regista um crescimento mais modesto, passando de 32.7% para 33% da população adulta no mesmo período. Esta disparidade sublinha uma mudança clara nos hábitos financeiros dos moçambicanos.

A rede de agentes de carteiras móveis também expandiu consideravelmente, saltando de 1.977 para 2.146 por cada 100 mil adultos entre o segundo e terceiro trimestres. Em contraste, a rede de agentes bancários viu uma redução, situando-se agora em apenas 1.5 agentes por cada 100 mil adultos. Atualmente, o país conta com 15 bancos comerciais, 12 microbancos e três instituições de moeda eletrónica, estas últimas frequentemente ligadas às operadoras de telefonia móvel.

O Governo e a Tributação da Economia Digital

Perante o domínio crescente das transações digitais, o Governo moçambicano tomou a iniciativa de adaptar a legislação fiscal. Foi aprovada uma proposta de lei para alterar o Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), com o objetivo de tributar a economia digital e, assim, alargar a base de arrecadação de impostos.

Segundo Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, as transações eletrónicas já representam uma fatia considerável do comércio, tanto a nível interno quanto externo. O governante destacou que a transição da bancarização tradicional para as carteiras móveis tem facilitado operações que, por vezes, ficam fora do controlo fiscal. Daí a urgência em atualizar o quadro legal para garantir que estas plataformas digitais também contribuam para as receitas do Estado.

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