Educação

UEM manda estudantes abandonar residência em menos de 24 horas

Centenas de estudantes residentes no Campus Tangará da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, foram apanhados de surpresa por uma notificação urgente que exigia a desocupação das residências universitárias em menos de 24 horas. O aviso, partilhado via WhatsApp na noite de 10 de dezembro, causou grande indignação e incerteza entre os afetados.

A Surpresa e a Indignação dos Estudantes

A comunicação inesperada, que informava os estudantes sobre a necessidade de abandonar as instalações até às 13h00 do dia seguinte, não foi precedida por um comunicado formal ou um calendário claro. Muitos estudantes, que estavam em período de exames ou enfrentavam dificuldades para regressar às suas zonas de origem, viram-se numa situação complicada.

Inicialmente, a UEM orientou que os estudantes que saíssem até 10 de dezembro preenchessem listas específicas. Posteriormente, a 12 de dezembro, foi enviada uma nova mensagem indicando que os que quisessem permanecer até ao dia 20 deveriam organizar os seus pertences para uma transferência para outra residência. Contudo, a mensagem deixava claro que, até sábado, 13 de dezembro, o Campus Tangará deveria estar desocupado.

Os estudantes, incluindo bolseiros e arrendatários, relatam que o carácter repentino das decisões gerou grande apreensão. Alguns já tinham planos de permanência e não tinham condições para sair em tão pouco tempo. Circularam rumores de que as instalações seriam arrendadas a uma organização não-governamental durante a ausência dos estudantes, o que aumentou o descontentamento e a desconfiança, lembrando episódios semelhantes de anos anteriores.

A situação foi agravada pela falta de um espaço provisório para guardar os pertences, obrigando os estudantes a retirar todos os seus bens, incluindo utensílios domésticos. Além disso, nos dias que antecederam a saída, as condições sanitárias eram precárias, com casas de banho sem limpeza regular para cerca de 40 estudantes por bloco.

No domingo, sob chuviscos em Maputo, os últimos estudantes que ainda permaneciam devido a exames ou dificuldades de deslocação foram transferidos para as residências universitárias números 05 e 08. Muitos deixaram para trás produtos alimentares e outros bens, sem tempo ou meios para os transportar após o aviso abrupto.

A Posição da UEM

Em resposta às críticas, a Universidade Eduardo Mondlane emitiu uma nota de esclarecimento, rejeitando as acusações de que teria ordenado a saída dos estudantes sem justificação. A instituição classificou as informações em circulação como “falsas” e divulgadas de “má-fé”.

Segundo a UEM, com o início das férias académicas, é prática habitual concentrar temporariamente os estudantes que permanecem no campus numa única residência. Esta medida, explica a universidade, visa otimizar a gestão de serviços e recursos, reforçar a segurança e garantir um melhor acompanhamento dos estudantes durante este período. A instituição assegura que se trata de uma reorganização pontual, limitada às férias académicas, e que o procedimento é regularmente adotado, respeitando os direitos e a dignidade dos estudantes.

Apesar do esclarecimento oficial, os estudantes insistem que a forma como o processo foi comunicado e implementado causou transtornos significativos, perdas materiais e uma sensação de insegurança, num momento já sensível do calendário académico.

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