Estevão Pale destaca resiliência para materialização da planta de processamento “num contexto exigente”

Moçambique deu um passo gigante rumo à sua soberania energética com a inauguração da primeira unidade de processamento de hidrocarbonetos do país. O Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, sublinhou a resiliência e a visão estratégica do governo como pilares fundamentais para a concretização deste projeto num cenário global desafiador.

Superando Desafios para um Sonho de Décadas
Na cerimónia de abertura, Pale, que tem um conhecimento profundo do sector, desde as negociações iniciais em 2000, destacou a materialização da planta como uma grande vitória para Moçambique. O empreendimento é fruto do Contrato de Partilha de Produção (PSA) assinado entre o Governo, a ENH e a Sasol Petroleum Moçambique.

O ministro enfatizou que a infraestrutura representa a clara visão do Governo de transformar os recursos naturais em produtos que beneficiem diretamente os moçambicanos, realizando um sonho de mais de dez anos. A construção decorreu num “contexto exigente”, marcado por desafios como a volatilidade dos preços internacionais de energia, pressões inflacionárias, limitações de financiamento global e dificuldades logísticas pós-pandemia.
Para Estevão Pale, este projeto concretiza as orientações presidenciais de aumentar a produção nacional, promover a industrialização e fortalecer a segurança energética do país, sendo um testemunho da capacidade de Moçambique em executar grandes empreendimentos em cenários complexos.
O Impacto Multimilionário da Sasol em Moçambique
A gigante energética sul-africana Sasol afirmou ter investido mais de 4 mil milhões de dólares em Moçambique ao longo de duas décadas, consolidando-se como um dos maiores investidores privados. A nova Fábrica de Processamento Integrado (FPI) em Inhambane, um investimento de mil milhões de dólares, foi inaugurada pelos Presidentes Daniel Chapo de Moçambique e Cyril Ramaphosa da África do Sul.
Além do impacto na infraestrutura, a Sasol realçou a sua contribuição para a economia moçambicana, sendo consistentemente um dos três maiores contribuintes fiscais do país nos últimos cinco anos. A empresa também investiu cerca de 20 milhões de dólares em acordos de desenvolvimento local em 37 comunidades vizinhas do projeto desde 2020, com mais 35 milhões de dólares em outras iniciativas sociais. Um novo acordo de 43 milhões de dólares expandirá esta atuação para 70 comunidades até 2030.
A petrolífera tem apostado na capacitação de profissionais moçambicanos, desde operadores a engenheiros, considerando este investimento fundamental para a expansão das operações de óleo e gás do país e para a sua soberania energética.
Com duas décadas de presença e um investimento massivo, a Sasol deixa uma marca inegável em Moçambique. A nova fábrica, focada na produção de gás de cozinha (GPL), visa atender à crescente demanda interna por este combustível, reforçando a segurança energética e impulsionando o desenvolvimento industrial do país.



