ENI: Um Milhão de Moçambicanos com Cozinha Limpa e Mais Saúde

Mais de um milhão de cidadãos moçambicanos já foram alcançados pelo programa “ENI por uma Cozinha Limpa”, uma iniciativa da ENI Natural Energies Moçambique que visa impulsionar a transição energética e melhorar as condições de vida nas comunidades. O anúncio foi feito pela petrolífera italiana, destacando o impacto positivo do projeto no país.
A revelação ocorreu durante uma cerimónia que marcou a inauguração da exposição fotográfica “Food, Energy & Life”, um evento dedicado a ilustrar visualmente os benefícios da iniciativa. Até o momento, a ENI já distribuiu 200 mil fogões melhorados nas províncias de Maputo, Sofala e Manica, com planos ambiciosos de expansão para outras regiões.
Estratégia e Impacto Comunitário
Marica Calabrese, diretora-geral da ENI em Moçambique, sublinhou que esta iniciativa é um pilar fundamental da estratégia da empresa para promover a transição energética e o desenvolvimento comunitário. “Moçambique está no centro da nossa estratégia. Começámos com o gás, mas para nós Moçambique é muito mais do que isso. Temos projetos agrícolas, de créditos de carbono e este projeto de cozinha limpa porque as comunidades estão no centro da nossa estratégia”, afirmou Calabrese.
Os fogões, distribuídos gratuitamente nos bairros abrangidos, representam uma solução inovadora que consome até 80% menos carvão ou lenha em comparação com os modelos tradicionais. Este benefício não é apenas económico para as famílias, mas crucial para a saúde pública, especialmente para mulheres e crianças, que são as mais expostas ao fumo durante a preparação de alimentos.
Produção Local e Saúde Pública
Um aspeto notável do programa é a criação de emprego. Os fogões são produzidos localmente no Instituto Superior Dom Bosco, envolvendo jovens moçambicanos em diversas fases, desde o fabrico e soldadura até à distribuição, fomentando o desenvolvimento de competências e a economia local.
Filippo Uberti, responsável pela área de saúde da ENI, enfatizou que o acesso a soluções de cozinha limpa é uma questão de saúde pública. A poluição doméstica, causada pelo uso de combustíveis sólidos, continua a afetar milhões globalmente. Dados recolhidos em Sofala e Manica antes da introdução dos fogões revelaram que 39,7% das famílias reportavam irritação ocular e 34% sintomas respiratórios. Após a adoção dos novos equipamentos, os problemas associados ao fumo doméstico diminuíram em 94%, e os níveis de monóxido de carbono reduziram em 85%.
Desenvolvimento Sustentável em Foco
Naldo Horta, da Secretaria de Estado da Província de Maputo, elogiou o projeto como um contributo significativo para o desenvolvimento sustentável, realçando os seus múltiplos benefícios. “O impacto deste projeto é evidente. Os fogões melhorados reduzem o consumo de lenha e carvão, diminuem a pressão sobre os recursos florestais e melhoram as condições de saúde das famílias”, declarou Horta.
Adérito Wetela, representante do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, salientou que mais de metade dos moçambicanos ainda depende de lenha e carvão para cozinhar. Ele defendeu os fogões melhorados como uma alternativa viável para reduzir custos familiares, proteger as florestas e elevar a qualidade de vida. “Quando protegemos a saúde das nossas famílias, também protegemos o nosso ecossistema. O uso de fogões melhorados é um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável das nossas comunidades”, concluiu Wetela.
A ENI reafirmou o seu compromisso de expandir o programa, visando alcançar ainda mais pessoas e províncias, como Nampula, consolidando o seu papel na promoção de um futuro mais limpo e saudável para Moçambique.


