Internacional

África do Sul: OMS condena xenofobia e mortes de moçambicanos

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através do seu Diretor-Geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, emitiu uma forte condenação aos recentes ataques xenófobos na África do Sul, classificando-os como uma “traição trágica” aos ideais de liberdade e justiça que o país defendeu historicamente, lamentando a morte de vários estrangeiros, incluindo pelo menos sete cidadãos moçambicanos.

Condenação da OMS e o Impacto dos Ataques

Num comunicado divulgado na rede social X, Ghebreyesus expressou profunda consternação com a nova vaga de violência contra estrangeiros, que já causou mortes, deslocou milhares de famílias e forçou muitos a procurar refúgio. Entre as vítimas fatais, destacam-se sete moçambicanos e cinco etíopes, mortos em ataques na região de Mossel Bay, Cabo Ocidental, com milhares de outros a fugir para salvar as suas vidas.

Nas últimas semanas, os protestos anti-imigração ilegal intensificaram-se em várias províncias sul-africanas, exigindo a intervenção policial. Grupos como o “March and March” estabeleceram o dia 30 de junho como prazo para a saída de estrangeiros sem documentos, alimentando um clima de tensão e insegurança.

“Traição Trágica” e Apelo à Razão

Ghebreyesus reiterou que a xenofobia na África do Sul representa uma traição à luta do país pela independência e liberdade. Recordou o apoio unânime das nações africanas, incluindo a Etiópia e Moçambique, na desmantelamento do apartheid, e instou os sul-africanos a resolverem as suas queixas através de canais legais e do sistema de justiça, em vez de recorrerem à violência de grupos paramilitares ou à punição coletiva. “A África merece mais. Parem com o ódio. Protejam os vulneráveis. Defendam a nossa humanidade partilhada”, apelou.

Ramaphosa Rejeita Xenofobia e Alerta Contra Desinformação

Por outro lado, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, rejeitou a acusação de xenofobia contra os seus cidadãos, afirmando que há uma vasta desinformação a circular com o objetivo de manchar a imagem do país. Ramaphosa garantiu que enviados governamentais irão a vários países do continente para esclarecer a posição oficial de Pretória sobre a imigração e combater a desinformação.

O presidente reiterou, à margem das comemorações do Dia Nacional da Juventude, que o ultimato de 30 de junho não emana do governo e que “nenhum sul-africano deve tomar medidas contra qualquer pessoa de um dos países irmãos africanos”. Ele defendeu que o “chamado dia 30 de junho é um evento desnecessário” e alertou os cidadãos para não se deixarem enganar por aqueles que procuram fomentar a instabilidade. As forças de segurança, garantiu, assegurarão a ordem e a segurança.

Ramaphosa salientou que o governo já está a implementar medidas para lidar com a imigração ilegal, enfatizando que esta é uma questão de estado e não uma responsabilidade dos cidadãos comuns. “Estou a tomar medidas de intervenção para atender às preocupações do nosso povo”, afirmou, referindo-se a uma série de intervenções que visam garantir que todos os residentes no país possuam documentação completa.

Alertas para o Dia 30 de Junho

Contudo, o pesquisador político Ebrahim Fakir alertou para a possibilidade de violência no dia 30 de junho, dada a natureza “violenta” da África do Sul e a potencial incapacidade do Estado de controlar a situação. A tensão permanece alta enquanto se aproxima a data limite estabelecida pelos grupos anti-imigração.

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