Quelimane: Edil exige 200 milhões ao Governo e denuncia tratamento desigual

O presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo, fez duras acusações ao Governo central, apontando para uma alegada asfixia financeira da autarquia devido à não canalização de fundos essenciais. A dívida acumulada, segundo o edil, já ultrapassa os 200 milhões de meticais, comprometendo seriamente o funcionamento e a capacidade de resposta aos problemas da cidade.
Dívida Milionária e Impacto no Município
Manuel de Araújo detalhou que, só em fundos de compensação autárquica, o Governo central está em dívida há 14 meses, num montante estimado em cerca de 80 milhões de meticais. Adicionalmente, a autarquia reclama a falta de desembolso de aproximadamente 50 milhões de meticais destinados à manutenção de estradas. Esta situação, segundo o presidente, impede a realização de obras e a prestação de serviços básicos à população, como o saneamento, alertando para o risco de eclosão de doenças como a cólera, que historicamente afetava Quelimane.
Acusações de Discriminação na Alocação de Recursos
O edil de Quelimane não poupou críticas àquilo que considera ser um “tratamento desigual” por parte do Governo central. De Araújo denunciou ter conhecimento de que outros municípios receberam os seus fundos de compensação autárquica, mas foram alegadamente instruídos a não partilhar essa informação com outras autarquias. “Nós não podemos ter Moçambique da primeira, da segunda ou da terceira”, afirmou, apelando por equidade na distribuição dos recursos.
Protestos Legítimos e Apelo à Sensibilidade
A situação financeira precária tem levado a manifestações de trabalhadores da autarquia, que reclamam salários em atraso. Manuel de Araújo considerou legítimas as reivindicações, sublinhando que a greve é um direito constitucional. O presidente lamentou ainda o facto de as transferências de valores referentes a três meses do ano passado terem ocorrido apenas após os funcionários de Quelimane terem recorrido à greve, instando o Governo Central a cumprir as suas obrigações sem a necessidade de protestos.
