FMI avisa que preços “vão demorar a recuar” mesmo após a guerra no Médio Oriente

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que os preços globais vão demorar tempo considerável a regressar aos níveis anteriores ao conflito no Médio Oriente, mesmo que um cessar-fogo se mantenha. Esta advertência foi feita pela diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, numa entrevista à CBS, em antecipação aos encontros de primavera com o Banco Mundial em Washington.

Georgieva sublinhou que a recuperação será ainda mais lenta para as regiões que sofrem com um maior nível de perturbação, destacando a assimetria deste choque económico. A responsável do FMI reiterou que a instituição irá rever em baixa as suas previsões de crescimento global, como resultado direto da escalada das tensões na região, na próxima atualização do World Economic Outlook.

Impacto nas Previsões Globais
A dimensão da revisão em baixa das previsões de crescimento dependerá de dois fatores cruciais: a duração do conflito e a velocidade com que a produção global conseguirá voltar aos níveis pré-guerra. Esta incerteza adiciona uma camada de complexidade às perspetivas económicas mundiais já fragilizadas.
Contexto do Conflito e Preços Energéticos
As declarações de Georgieva surgem num período de elevada tensão, após negociações diretas no Paquistão terem terminado sem sucesso. O cenário foi agravado com o anúncio de um bloqueio naval ao estreito de Ormuz e ameaças de retaliação de ambos os lados, uma rota vital para o comércio de energia global. O Irão, por sua vez, prometeu uma resposta contundente a qualquer interferência.
A pressão sobre os preços tem sido impulsionada principalmente pela escalada dos preços do petróleo e do gás. Embora o crude tenha registado a maior queda semanal desde a pandemia recentemente, a incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo e a possibilidade de uma nova escalada do conflito indicam que uma inversão desta tendência é provável, mantendo os preços elevados.



