Médio Oriente: Petróleo volta a disparar para acima dos 100 dólares com receios de nova escalada do conflito

Os preços do petróleo dispararam novamente esta segunda-feira, ultrapassando os 100 dólares por barril, à medida que os receios de uma nova escalada no conflito do Médio Oriente se intensificam. Esta subida acentuada acontece após o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irão.

A valorização dos preços, que segue uma queda de mais de 10% na semana passada, foi impulsionada pelo anúncio do Presidente Donald Trump de que as forças americanas vão começar a bloquear todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos. O barril de Brent, referência para a Europa, subiu 7% para 101,86 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, avançou 7,44% para 103,75 dólares.

Ameaça de Escalada no Golfo
Apesar de Trump ter afirmado que a ação de bloqueio seria “muito eficaz”, analistas temem que esta decisão adicione uma nova camada de incerteza, podendo levar a uma escalada da guerra no Golfo Pérsico. Além do bloqueio, o líder norte-americano e os seus conselheiros estarão a considerar retomar ataques limitados contra o Irão, conforme noticiado pelo Wall Street Journal.
Do lado de Teerão, o conselheiro militar do líder supremo do Irão, Mohsen Rezaee, declarou que o país “não permitirá” tal embargo dos EUA e que possui meios para o contrariar.
O Estreito de Ormuz e Rotas Marítimas Cruciais
O Estreito de Ormuz, uma passagem vital que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais e por onde passava cerca de 20% do gás natural e crude consumidos mundialmente antes do conflito, encontra-se “efetivamente fechado” desde que os EUA e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irão no final de fevereiro. Nesta segunda-feira, dados citados pela Bloomberg revelaram que dois petroleiros tentavam sair do golfo através de Ormuz, sendo as primeiras embarcações a tentar a passagem desde o anúncio do bloqueio.
Michael Ratney, antigo embaixador norte-americano na Arábia Saudita, alertou numa entrevista à Bloomberg TV que a medida dos EUA introduz “um enorme elemento de risco adicional”. Ele questionou se a Marinha dos EUA bloquearia navios com destino à China, provocando uma crise nas relações entre os dois países, já que a China continua a ser o principal destino das exportações de crude iraniano.
Mona Yacoubian, diretora do Programa do Médio Oriente no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, expressou dúvidas sobre a eficácia do plano de bloqueio, afirmando que “é difícil compreender o sentido disso”.
Impacto nas Rotas do Mar Vermelho
Se o Irão sentir que as suas exportações de petróleo – uma fonte crucial de receita – estão ameaçadas, poderá pressionar os Houthis no Iémen a atacar o tráfego marítimo em Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho. Este estreito, tal como Ormuz, é uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo, por onde passa cerca de 10% a 12% do comércio marítimo global.
Os fluxos de petróleo através do Mar Vermelho tornaram-se ainda mais importantes desde o início da guerra, com a Arábia Saudita a aumentar os fluxos dos oleodutos através do país até ao porto de Yanbu. No domingo, Riade confirmou ter restaurado a capacidade total do seu oleoduto Este-Oeste, bem como a produção do campo de Manifa, após danos causados por ataques iranianos.
A situação no Médio Oriente permanece volátil, com o aumento dos preços do petróleo a refletir a crescente instabilidade e a possibilidade de um conflito mais abrangente na região.



