Sasol ainda não notificou Governo sobre esgotamento do gás em Pande e Timane

O futuro do fornecimento de gás natural em Moçambique levanta preocupações crescentes, com as reservas dos jazigos de Pande e Temane, na província de Inhambane, a preverem o seu esgotamento já a partir de 2028. Contudo, apesar do cenário alarmante, a multinacional Sasol ainda não comunicou oficialmente ao Governo moçambicano sobre esta situação crítica, gerando incerteza e a impossibilidade de uma tomada de posição formal por parte das autoridades.

Governo de Inhambane Aguarda Comunicação Formal
O Governador de Inhambane, Francisco Pagula, veio a público esclarecer que a sua administração provincial não recebeu qualquer notificação oficial da Sasol sobre o iminente esgotamento das reservas de gás. Segundo Pagula, embora o assunto seja amplamente discutido na comunicação social e nas redes sociais, a ausência de documentos formais impede o Governo de confirmar ou negar a informação de forma definitiva.

“Não podemos levar a sério informações que circulam apenas em fóruns informais ou redes sociais”, afirmou o governador, sublinhando a importância de uma comunicação institucional transparente entre a Sasol e o Estado moçambicano para que as autoridades possam agir em conformidade.
Sasol Delineia Estratégias para Manter o Fornecimento
Do lado da Sasol, o Director Executivo Simon Baloyi já admitiu publicamente, em intervenções na imprensa sul-africana, que a empresa está a traçar planos para o período pós-2028. A multinacional está empenhada em encontrar soluções para evitar a interrupção do fornecimento de gás, que impacta directamente a economia regional.
Entre as estratégias em análise, a Sasol está a negociar parcerias estratégicas com grandes players do setor, como a TotalEnergies, a ExxonMobil e a Qatar Energy. A solução mais provável para manter o fluxo passa pela transição do gás transportado via gasoduto para a importação de Gás Natural Liquefeito (GNL).
Baloyi reforçou que o objetivo é garantir que não haja interrupções no fornecimento até, pelo menos, 2030, trabalhando em conjunto com a Eskom para assegurar a segurança energética da região. Esta medida é crucial, uma vez que mais de setecentos mil empregos dependem, direta e indiretamente, deste mercado.
O Desafio da Transição e a Segurança Energética
A principal preocupação reside no intervalo de tempo entre o fim das reservas em Inhambane e a entrada em pleno funcionamento dos novos e promissores projetos de gás natural no norte de Moçambique. Caso os investimentos de biliões de dólares nestes projetos sofram atrasos, a Sasol considera a possibilidade de prolongar a produção de metano em Secunda, na África do Sul, como uma medida de emergência.
A liderança da empresa sublinha que a prioridade máxima é evitar que a crise energética em Moçambique e na África do Sul se agrave devido à falta de um planeamento atempado e eficaz.



