EUA e Irão chegam “finalmente” a acordo sobre cessar-fogo após troca intensa de ameaças

Os Estados Unidos da América e o Irão, depois de uma escalada de tensões e ameaças mútuas que deixaram o mundo em alerta, surpreenderam ao anunciar um acordo para um cessar-fogo de duas semanas. Esta trégua, mediada pelo Paquistão, surge como um alívio temporário num conflito que parecia sem fim à vista, com a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz como condição principal.

O Acordo e as Suas Condições
O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou o acordo através da sua rede social Truth Social. A proposta de cessar-fogo foi feita pelo Paquistão, através do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do marechal de campo Asim Munir. Trump aceitou adiar um ataque massivo que havia prometido contra alvos iranianos, desde que o Irão garantisse a abertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz. Este estreito é uma rota marítima vital para o transporte global de petróleo.

Segundo Trump, a decisão de aceitar o adiamento deve-se ao facto de os EUA terem “cumprido e excedido todos os objetivos militares”. O presidente americano expressou a crença de que este acordo pode ser a base para uma “paz de longo prazo com o Irão e a paz no Médio Oriente”. Mencionou ainda uma proposta iraniana de dez pontos, que considera uma “base de trabalho para as negociações”, com “quase todos os pontos de discórdia” já acordados. O período de duas semanas servirá para “finalizar e consumar” o pacto.
A Resposta Iraniana e as Advertências
Do lado iraniano, a proposta de tréguas também foi aceite e confirmada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, com a aprovação do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, conforme noticiado pelo New York Times. As negociações oficiais estão agendadas para começar em Islamabad, no Paquistão, já na próxima sexta-feira.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão assegurou a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mas com uma condição clara: “desde que cessem os ataques” ao país. A navegação será feita em “coordenação” com as forças armadas iranianas e “tendo em consideração limitações técnicas”.
No entanto, o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano fez questão de enfatizar que este acordo “não significa o final da guerra” e que as “suas mãos continuam no gatilho”. A mensagem é clara: “Caso o mais pequeno erro seja cometido pelo inimigo, será respondido com força total.” Em paralelo, Israel também suspenderá os seus bombardeamentos no Irão para facilitar as negociações.
Intensificação Prévia das Ameaças
A concretização deste acordo parecia improvável nas horas que antecederam o ultimato de Donald Trump. O período foi marcado por uma retórica extremamente agressiva de ambos os lados. Trump havia avisado que “uma civilização inteira iria morrer” se Teerão não chegasse a um acordo para desbloquear o Estreito de Ormuz até à meia-noite de terça-feira.
Em resposta, o representante iraniano nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, declarou que Teerão não ficaria “parado” perante as ameaças de Trump, classificando-as como “crimes de guerra”. No dia anterior, o mesmo representante tinha alertado que o Irão “poderia ser arrasado numa noite”. Iravani prometeu uma resposta “imediata e proporcional” a qualquer ofensiva dos EUA contra infraestruturas civis iranianas.
As tensões eram tão elevadas que as palavras de Trump, consideradas um “incitamento a crimes de guerra e potencialmente a um genocídio” pelo Irão, levaram os representantes iranianos a retirar-se das negociações, embora os contactos continuassem através de mediadores. Pouco antes do ultimato, forças dos EUA e de Israel tinham atacado várias infraestruturas iranianas, incluindo a ilha de Kharg, que é o principal terminal de exportação de petróleo bruto do Irão.
O Conselho de Segurança da ONU também chumbou uma resolução que exigia a reabertura do Estreito de Ormuz, devido aos vetos da China e da Rússia, evidenciando a complexidade e a divisão internacional em torno deste conflito.



