Economia

É por causa dos mukheristas que a Shoprite pode encerrar as lojas em Moçambique?

A possibilidade de a Shoprite, gigante sul-africana do retalho, fechar as suas portas em Moçambique tem vindo a ganhar força. Embora danos pós-eleitorais tenham sido apontados como causa inicial, um novo relatório sugere que a crescente influência dos “mukheristas” e de outros concorrentes informais é o verdadeiro motivo por trás desta ameaça.

O Alerta da Shoprite e os Desafios Pós-Eleitorais

Já em 2025, a Shoprite havia manifestado preocupação com o desenvolvimento das suas operações no mercado moçambicano. Na altura, as justificações prendiam-se com os prejuízos causados pelas manifestações que se seguiram às eleições. De facto, alguns supermercados da rede chegaram a encerrar temporariamente ou mesmo de forma definitiva devido a esses conflitos.

Mukheristas: A Principal Ameaça Competitiva

Contudo, uma investigação do portal Zitamar aponta para uma causa mais profunda. Segundo o portal, a pressão para a Shoprite abandonar Moçambique deve-se, em grande parte, à proliferação e ao crescimento dos “mukheristas” no setor do retalho, para além de outros concorrentes que operam de forma semelhante.

Antigamente, os pequenos comerciantes informais compravam grandes volumes de produtos nas lojas Shoprite para revender com uma margem de lucro. Hoje em dia, a dinâmica mudou: estes comerciantes atravessam a fronteira para a África do Sul, adquirem os produtos diretamente lá e depois os revendem em Moçambique.

A Vantagem Competitiva Ilegal do Mukhero

É precisamente esta prática que coloca a Shoprite em desvantagem. O Zitamar notou que os mukheristas vendem muitos dos mesmos produtos que a Shoprite, mas a preços significativamente mais baixos. Esta competitividade resulta do facto de estes comerciantes “informais” usarem as suas ligações com agentes aduaneiros para introduzir produtos no território moçambicano sem pagar os impostos devidos.

O “mukhero”, como é conhecida esta atividade, cresceu tanto em escala quanto em complexidade, abrangendo desde vegetais a peças de automóveis e mobiliário. O seu sucesso baseia-se no baixo custo, que por sua vez é viabilizado pela ilegalidade: não são pagos direitos aduaneiros nem IVA.

A Posição do Estado e o Impacto Social

A situação é ainda mais complexa porque o Estado moçambicano está ciente destas manobras dos pequenos comerciantes, mas parece fazer vista grossa. A razão para esta inação é clara: “muitas pessoas dependem do mukhero para ganhar a vida”, tornando a atividade uma fonte crucial de subsistência para uma parte considerável da população.

Neste cenário, existem também os chamados “formais-informais”, que entregam os seus produtos a vendedores de rua para que estes os comercializem mediante uma comissão, evitando assim o pagamento do IVA e contribuindo para a informalidade que desafia as grandes cadeias de retalho como a Shoprite.

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