TotalEnergies acusada de sufocar economia local em Palma, denunciam empresários

Empresários de Palma, na província de Cabo Delgado, estão a denunciar que as operações da TotalEnergies na península de Afungi estão a sufocar a economia local. O Conselho Empresarial de Palma expressa profunda desconfiança e acusa a gigante energética de não flexibilizar o acesso ao acampamento, limitando o movimento e prejudicando severamente o comércio na vila.

Restrições Asfixiam o Comércio Local
O presidente do Conselho Empresarial de Palma, Chemsi Issa, revelou que, apesar de múltiplos pedidos formais e encontros de diálogo com a empresa, ainda não houve qualquer resposta concreta sobre a flexibilização do acesso ao acampamento de Afungi. Esta falta de abertura, segundo Issa, está a asfixiar o empresariado local, uma vez que limita a circulação de trabalhadores e outros agentes económicos para a vila de Palma, reduzindo drasticamente a atividade comercial.

O impacto já se faz sentir em vários setores, com destaque para a hotelaria. Muitos estabelecimentos enfrentam prejuízos elevados e foram obrigados a encerrar temporariamente devido à drástica redução de clientes. Issa lamenta que a vila esteja “praticamente parada” e sem movimento económico desde o encerramento dos portões do acampamento.
Acusações de Falta de Compromisso
Os empresários de Palma acusam a TotalEnergies de concentrar a maioria dos serviços e atividades dentro do acampamento de Afungi, o que, na sua perspetiva, demonstra uma falta de compromisso com o desenvolvimento económico da vila. Questionam a lógica de manter Palma, que é sede distrital, paralisada, enquanto os trabalhadores do projeto não têm acesso à vila, nem sequer aos fins de semana.
Propostas para a Retoma Económica
Diante deste cenário preocupante, o Conselho Empresarial de Palma defende uma maior articulação entre o setor privado, o Governo e a multinacional, baseada num diálogo permanente e transparente. Entre as propostas apresentadas, destaca-se a autorização para que os trabalhadores do projeto possam deslocar-se à vila durante os fins de semana.
Esta medida, segundo os empresários, estimularia o consumo local, aumentaria a taxa de ocupação dos hotéis e dinamizaria a economia do distrito. A ideia é permitir que os trabalhadores visitem Palma, interajam com os comerciantes, se hospedem em hotéis e consumam produtos locais, revitalizando assim a economia da região.
Segurança e Apelo à Ação
Apesar de reconhecerem os desafios de segurança enfrentados pela região nos últimos anos, os empresários sublinham que a situação melhorou significativamente, com o regresso gradual da população e a retoma de algumas atividades económicas. Ainda assim, questionam a continuidade das restrições impostas aos trabalhadores do projeto, argumentando que se a população já regressou em segurança, não faz sentido manter os trabalhadores confinados.
O setor empresarial local apela agora a um esforço conjunto, tanto a nível provincial como nacional, para restaurar a confiança, reativar o tecido económico e garantir que os benefícios do megaprojeto de gás da Bacia do Rovuma cheguem efetivamente à população e aos empresários da vila de Palma.



