Sociedade civil exige que Nyusi, Guebuza e Chissano recusem novas regalias

Numa altura em que a economia moçambicana enfrenta sérios desafios e o povo sente o peso da crise, o ativista e académico Adriano Nuvunga lançou uma carta aberta contundente, exigindo que os antigos Chefes de Estado, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi, recusem de imediato as novas regalias aprovadas pelo Estado.

Novas regalias em tempos de crise
A polémica surge após o anúncio de um aumento significativo das “mordomias” destinadas aos ex-presidentes, cujos gastos mensais podem ultrapassar os 15 milhões de meticais. Nuvunga sublinha a ironia desta decisão, tomada num momento em que hospitais carecem de medicamentos, escolas não têm material e milhões de moçambicanos lutam pela sobrevivência diária. Para ele, é inaceitável que o Estado priorize o conforto de quem já esteve no poder enquanto a população sofre.

Na sua missiva, o diretor do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) argumenta que a verdadeira dignidade de um líder não se mede por frotas de carros de luxo ou subsídios vitalícios, mas sim pelo legado que deixa. Nuvunga recorda que a atual crise, marcada pelas dívidas ocultas e pela fragilização das instituições, é um resultado direto das decisões tomadas durante os mandatos dos três ex-presidentes.
O peso do legado e a indignação social
O documento detalha as críticas aos legados. O governo de Armando Guebuza é apontado como o principal responsável pelas dívidas ocultas que mergulharam o país numa profunda crise financeira. Já a administração de Filipe Nyusi é associada à institucionalização da violência e à consolidação da corrupção sistémica, problemas que continuam a afetar a nação.
Embora reconheça a existência de uma base legal para a atribuição destas regalias, Adriano Nuvunga é categórico ao afirmar que a lei, neste caso, carece de legitimidade moral. Ele apela à responsabilidade histórica de Chissano, Guebuza e Nyusi para que, em nome do povo moçambicano, recusem estes valores exorbitantes.
A reação da sociedade civil não se fez esperar, com o termo “mordomias” a dominar as redes sociais, refletindo a crescente indignação. Até ao momento, as assessorias dos antigos Presidentes não se pronunciaram publicamente sobre o conteúdo da carta, deixando a população à espera de uma resposta num cenário de forte pressão social.



