NA SADC: Alterações climáticas agravam cenário de inundações mortais

As alterações climáticas estão a agravar de forma preocupante o cenário de inundações mortais na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Um estudo recente revela que a região registou precipitação equivalente a um ano inteiro em apenas dez dias, resultando em mais de cem mortes e destruição massiva em Moçambique, África do Sul e Zimbabwe.

A World Weather Attribution, uma organização científica internacional que avalia a influência das mudanças climáticas, publicou este estudo alarmante. Segundo a pesquisa, a acumulação de chuva de um ano inteiro em pouco mais de uma semana levou a um cenário catastrófico, com a perda de mais de cem vidas e estragos significativos na região.

Em Moçambique, muitas casas ficaram literalmente debaixo de água, enquanto na África do Sul, províncias como Limpopo e Mpumalanga, e algumas zonas do Zimbabwe, viram estradas e pontes serem completamente destruídas pelas cheias.
Os fenómenos climáticos “El Niño” e “La Niña”, juntamente com a queima de combustíveis fósseis, são apontados como os principais responsáveis por esta tendência de chuvas muito fortes e concentradas num curto espaço de tempo, que continuam a devastar o ambiente na região.
O Sul de Moçambique tem sido a área mais atingida pelas inundações recentes, principalmente devido às descargas de água dos países vizinhos. Esta situação levanta sérias questões sobre a necessidade de uma monitoria e gestão conjunta dos caudais dos rios que nascem a montante, especialmente da África do Sul, Zimbabwe e Eswatini.
Gestão de Rios Partilhados
Lisete Dias, chefe do Departamento de Recursos Hídricos da ARA-Sul, em Moçambique, explicou que a gestão das águas transfronteiriças na SADC é orientada pelo Protocolo sobre Cursos de Água Partilhados de 2001. Este protocolo estabeleceu comissões conjuntas para a gestão dos recursos hídricos nas principais bacias da região.
Duas destas comissões são a LIMCOM (Comissão de Gestão da Bacia do Rio Limpopo), que integra Moçambique, África do Sul, Zimbabwe e Botswana, e coordena a monitoria e partilha de dados hidrológicos. A outra é a INCOMAPUTO, que foca na cooperação entre Moçambique, África do Sul e Eswatini para a gestão conjunta das bacias do Incomáti e do Maputo, que são as que mais impactam a província de Maputo.



