Governo vai apresentar seu próprio relatório sobre pobreza após dados do Banco Mundial

O Governo moçambicano anunciou que vai divulgar o seu próprio relatório sobre a pobreza no país, uma resposta direta aos dados recentes do Banco Mundial que apontam Moçambique como um dos países mais pobres e desiguais do mundo. Esta medida surge para clarificar as diferenças metodológicas na avaliação da situação socioeconómica nacional.

Contexto do Relatório do Banco Mundial
O Banco Mundial divulgou recentemente um relatório preocupante, indicando que Moçambique é o segundo país mais pobre a nível global e figura entre os dez mais desiguais. Segundo os dados da instituição, cerca de 81% da população moçambicana vive com menos de três dólares por dia, o que equivale aproximadamente a 200 meticais. Estes números acendem um alerta sobre a necessidade de intervenções mais eficazes no combate à pobreza.

A Posição do Governo Moçambicano
Em reação às conclusões do Banco Mundial, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, afirmou que o Executivo está a acompanhar o relatório. No entanto, Impissa fez questão de frisar que existem grandes diferenças entre os critérios e as metodologias usadas pelo Banco Mundial e as adotadas internamente por Moçambique. O Ministério da Planificação e Desenvolvimento, por exemplo, utiliza o Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF) como principal ferramenta de medição da pobreza.
Metodologias e Resultados Nacionais
O IOF já gerou cinco relatórios, sendo o mais recente de 2022. Este documento apresenta resultados que, segundo Impissa, são diferentes dos dados internacionais, tanto nos indicadores como nas abordagens para classificar o nível de pobreza nacional. “O pronunciamento do Banco Mundial é de um parceiro independente, tem os seus critérios”, explicou Impissa, reconhecendo a autonomia da instituição. O Governo assegura que está a fazer uma análise comparativa detalhada entre os dados internacionais e os seus próprios, e só depois dessa avaliação é que se irá pronunciar oficialmente sobre o assunto. “Até aqui, estamos apenas a observar e a respeitar um posicionamento e nós vamos apresentar o nosso quando chegar a vez”, concluiu o porta-voz.



