Sociedade

Afinal quem olha pelo idoso?

Em Moçambique, a situação dos idosos é preocupante. Muitos dos que contribuíram para a sociedade e família acabam por ser abandonados, enfrentando não só a falta de apoio material, mas também o desprezo e a violência.

O abandono vai além da carência de comida, abrigo ou medicamentos; atinge a alma, isolando e tornando invisíveis aqueles que já deram tanto. É uma ferida social que muitos preferem ignorar, mesmo quando é visível nas comunidades.

A Contribuição Esquecida e a Dura Realidade

Muitos idosos que antes criaram filhos, construíram lares e trabalharam arduamente para sustentar as suas famílias, agora veem-se empurrados para a margem da sociedade. A solidão é apenas uma parte do problema, pois há também o desprezo, a marginalização e, em alguns casos, a violência direta, muitas vezes alimentada pelo medo e crenças erradas.

No dia-a-dia, não é raro encontrar idosos acusados de feitiçaria, vistos como pessoas capazes de fazer o mal e, por isso, afastados ou vigiados com desconfiança. Mulheres idosas, que deveriam ser protegidas, tornam-se vítimas de violência, sem terem para onde ir ou a quem pedir ajuda.

Outros são tratados como fardos, sem valor, memórias inúteis que a sociedade prefere apagar. Infelizmente, estas situações não são raras; são realidades quotidianas que mostram a degradação da dignidade humana e a falha de uma comunidade em proteger os seus mais velhos.

O idoso fica sozinho, à mercê de um mundo que já não reconhece o seu direito a uma vida plena. A sua história é esquecida, a sua experiência desprezada, e a sua dignidade, negada. Aqueles que antes foram pilares das suas famílias e comunidades, hoje são vistos com desconfiança e medo, questionando-se: afinal, quem olha por eles?

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