“Saída de tropas ruandesas pode expor défice na gestão do conflito em Cabo Delgado” – Lutero Simango

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, lançou um alerta sobre os riscos que Moçambique pode enfrentar na gestão do conflito em Cabo Delgado, caso as forças ruandesas se retirem da província. Segundo Simango, o país não está devidamente preparado para garantir a sua soberania e defesa.

Simango expressou preocupação com a possível saída das tropas de Ruanda, que atuam em Cabo Delgado desde 2021. Para o líder do MDM, a presença destas forças sempre foi questionável, uma vez que não foi autorizada pela Assembleia da República, tornando-a, no seu entender, ilegal. Ele argumenta que a dependência de forças estrangeiras fez com que o Estado moçambicano “adormecesse” e falhasse em preparar adequadamente as suas Forças de Defesa e Segurança (FDS) para os desafios atuais.

O político moçambicano sublinhou que Moçambique ainda não possui um exército com o equipamento necessário para enfrentar ameaças modernas, incluindo o uso de tecnologia avançada como drones. “Ter um exército não significa só ter homens armados. É preciso ter todos os equipamentos”, afirmou Simango, destacando a importância de meios navais, aéreos e tecnológicos para uma guerra contemporânea.
A possibilidade de retirada das tropas ruandesas surge num momento em que o apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação se aproxima do fim. A porta-voz do governo ruandês, Yolande Makolo, já havia indicado que Ruanda consideraria retirar o seu contingente se o trabalho desenvolvido em Cabo Delgado não fosse devidamente valorizado.
Apesar das lacunas, Lutero Simango acredita que Moçambique tem a capacidade de superar estas deficiências, desde que haja uma gestão eficiente dos seus vastos recursos naturais. No entanto, criticou veementemente a corrupção, que, na sua visão, impede o desenvolvimento do país e a alocação de fundos para áreas cruciais como a defesa.



