Porto de Maputo vai ser o mais competitivo da região com a duplicação da capacidade até 2036

O Porto de Maputo está prestes a transformar-se no mais competitivo da África Austral, graças a um avultado investimento de dois mil milhões de dólares que visa duplicar a sua capacidade de manuseio de carga até 2036. Este projeto ambicioso faz parte de um plano maior para impulsionar os corredores de desenvolvimento do país, com um investimento total de 2,5 mil milhões de dólares apenas para o corredor do Sul.

Maputo: Um Gigante Regional em Ascensão
De acordo com João Matlombe, Ministro dos Transportes e Logística, o investimento de dois mil milhões de dólares no Porto de Maputo, a ser concretizado nos próximos dez anos, tem como objetivo principal elevar a sua capacidade de manuseio de carga de 35 milhões de toneladas, registadas em 2025, para impressionantes 50 milhões de toneladas. O Ministro enfatizou que este é o maior investimento dentro do pacote de 2,5 mil milhões de dólares destinados ao corredor de desenvolvimento do Sul.

Um dos passos cruciais para alcançar esta meta é a iminente dragagem do porto, prevista para este semestre. Esta intervenção tornará o Porto de Maputo o mais profundo da região Austral, permitindo a atracagem de navios Panamax com mais de 70 mil toneladas, algo que portos como o de Durban não conseguem acomodar. Matlombe sublinhou que, em termos de eficiência, o Porto de Maputo já demonstra competitividade face a Durban.
Corredor do Sul: Melhorias na Logística
Além do Porto de Maputo, o corredor de desenvolvimento do Sul está a receber atenção especial. O Ministro revelou que estão em curso obras de melhoria na Estrada Nacional Número 4 (EN4), e que a construção de uma fronteira de paragem única deverá iniciar ainda este semestre. Estas iniciativas visam otimizar a integração logística desde a fronteira até ao porto, o que se traduzirá num aumento significativo das receitas fiscais.
Corredor da Beira: Potencial Inexplorado
João Matlombe destacou também o potencial do Corredor da Beira, considerando-o um dos mais promissores do país, especialmente por servir vários países da região, como o Zimbabué. Para descongestionar o Porto da Beira, está em curso um investimento de 80 milhões de dólares em trabalhos fora da infraestrutura portuária. Adicionalmente, foi aprovada a construção de um porto seco e um centro de facilitação logística em Dondo, que será o maior da região e funcionará como uma extensão do Porto da Beira, com ligação ferroviária. As negociações para uma fronteira de paragem única e centro de facilitação logística em Machipanda, província de Manica, encontram-se em fase final.
Internamente, o Porto da Beira verá o seu terminal de combustíveis duplicado, num investimento superior a 250 milhões de dólares, para reduzir atrasos e aumentar a sua atratividade. O terminal de cargas também será alvo de intervenção, dada a perda de volume para o Porto de Dar-es-Salaam. O Ministro assegurou que, caso a concessionária não tome as medidas necessárias, o Governo intervirá, pois a situação já afeta as relações diplomáticas.
Outras Iniciativas e Visão de Futuro
No Corredor de Moatize, província de Tete, será lançado um concurso para a construção de um porto seco dedicado ao escoamento de minerais para a Zâmbia e à distribuição de carga para a Beira ou Nacala. Para o Corredor de Nacala, seis empresas já manifestaram interesse na construção da linha-férrea Nacala-República Democrática do Congo, um projeto avaliado em 350 milhões de dólares.
O Ministro Matlombe concluiu enfatizando que, com a devida capitalização e orientação, os principais corredores de desenvolvimento de Moçambique têm o potencial de gerar uma economia extraordinária, contribuindo com mais de 50% do Produto Interno Bruto do país. Esta visão sublinha a aposta estratégica do Governo na infraestrutura logística como motor de crescimento económico.



