OTM-CS realiza seminário de capacitação das equipas negociais dos sindicatos nacionais

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) realizou, nos dias 19 e 20 de Março de 2026, um seminário crucial para fortalecer as competências das equipas negociais dos sindicatos nacionais, preparando-os para as importantes discussões sobre o reajuste dos salários mínimos no país.

O evento, que reuniu representantes de todos os sindicatos filiados à OTM-CS, teve como principal objetivo aprimorar as capacidades técnicas e estratégicas dos negociadores. Numa altura em que o contexto económico e social moçambicano exige uma defesa mais assertiva e consistente dos direitos dos trabalhadores, a capacitação surge como um pilar fundamental para o sucesso das futuras negociações coletivas.

Desafios Económicos e a Resposta Sindical
Na cerimónia de abertura, o Secretário-Geral da OTM-CS, Damião Simango, sublinhou a relevância deste encontro como um ponto de partida para a organização e o fortalecimento da ação sindical. Simango destacou o papel estratégico dos sindicatos na promoção de melhores condições de vida para a classe trabalhadora.
O dirigente chamou a atenção para o contraste evidente entre o crescimento económico que Moçambique tem registado e a ausência de melhorias significativas nas condições de vida da população. Para Simango, este cenário aponta para um modelo de desenvolvimento que, infelizmente, é excludente e foca-se em setores com pouco impacto real na economia nacional e no bem-estar dos cidadãos.
Alertando para os efeitos corrosivos da inflação no poder de compra dos moçambicanos, o elevado nível de desemprego e a predominância da informalidade no mercado de trabalho, Damião Simango caracterizou a situação atual como uma “crise estrutural do emprego”. Uma crise que, segundo ele, exige respostas firmes e coordenadas por parte de todo o movimento sindical.
Negociações Fortes para uma Economia Justa
Perante este cenário desafiador, o Secretário-Geral defendeu a necessidade de uma ação sindical mais robusta. Esta ação deve assentar em negociações coletivas qualificadas, sustentadas por dados concretos, suporte técnico especializado e uma visão estratégica clara, sempre orientada para resultados tangíveis para os trabalhadores.
Simango reforçou a importância de alinhar as reivindicações salariais com fatores como a inflação, a produtividade e o custo de vida, garantindo assim a promoção da justiça social e o equilíbrio económico. A sua intervenção também realçou a necessidade de adotar abordagens diferenciadas nas negociações, considerando as particularidades de cada setor e tipo de empresa, e valorizando o diálogo social como um mecanismo essencial de conciliação entre trabalhadores, empregadores e o Governo.
No final, Damião Simango fez um forte apelo à união, responsabilidade e determinação de todos os sindicatos. Ele enfatizou que a negociação coletiva é a principal ferramenta para a transformação social em Moçambique, e que as decisões tomadas hoje terão um impacto direto no futuro do trabalho, contribuindo para a construção de uma economia mais justa, inclusiva e sustentável para todos os moçambicanos.