O “preço” real das “canetas emagrecedoras”

Em Moçambique, a busca por um corpo “perfeito” tem levado muitas pessoas a procurar soluções rápidas para emagrecer. Uma dessas tendências que tem ganhado terreno são as chamadas “canetas emagrecedoras”, prometendo resultados milagrosos em pouco tempo e gerando debates sobre a sua eficácia e segurança.

Estes medicamentos, como Zepbound, Saxenda, Wegovy, Ozempic e Mounjaro, são administrados através de injeções. A sua popularidade tem sido impulsionada, em parte, pela promoção feita por influenciadores nas redes sociais, que as apresentam como a chave para uma perda de peso instantânea.

Como Funcionam as “Canetas Emagrecedoras”?
Profissionais de um Spa em Maputo, onde estes produtos são comercializados, explicam que o funcionamento destas canetas é complexo e atua em várias frentes no nosso corpo:
- **No cérebro:** Agem no centro da fome, diminuindo o apetite e, consequentemente, a ingestão de alimentos.
- **No estômago:** Retardam o esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade e reduz o interesse pela comida.
- **No pâncreas:** Estimulam a libertação de insulina quando os níveis de açúcar estão altos e diminuem o glucagon (um hormónio que aumenta a glicose), contribuindo para uma maior sensação de saciedade.
O Contexto Moçambicano e os Riscos
Embora a procura esteja a aumentar em Moçambique, a comercialização destas “canetas” é ainda um fenómeno relativamente novo. O tratamento é geralmente apresentado como um processo que exige exames médicos gerais e uma consulta inicial para avaliar a aptidão do paciente. A aplicação é semanal, com acompanhamento nutricional e orientação sobre possíveis efeitos secundários.
No entanto, a situação torna-se mais delicada para quem vive fora de Maputo. Para estes pacientes, as consultas podem ser realizadas online, e as canetas são enviadas por correio, acompanhadas de instruções de uso e conservação. Neste caso, a administração do medicamento é feita “por conta e risco individuais”, o que levanta preocupações significativas sobre a segurança e a supervisão médica adequada.
É fundamental que os interessados nestes tratamentos procurem sempre aconselhamento médico especializado e estejam cientes dos potenciais riscos e efeitos colaterais, especialmente quando a supervisão profissional é limitada. A saúde deve ser sempre a prioridade.



