Nove mil alunos estudam ao ar livre em Nampula

A cidade de Nampula enfrenta um desafio alarmante no setor da educação, onde a precariedade das infraestruturas escolares obriga milhares de alunos a estudar debaixo do céu aberto. Esta realidade, que afeta diretamente a qualidade do ensino, tem sido motivo de grande preocupação para a comunidade e autoridades.

Escola Básica de Muthimacanha: Um Cenário Preocupante
Na Escola Básica de Muthimacanha, a situação é particularmente crítica. Dos 11.713 estudantes matriculados para o presente ano letivo, apurados pelo jornal Notícias, impressionantes 9.025 crianças não têm acesso a salas de aula convencionais, sendo forçadas a aprender em espaços improvisados e sem qualquer tipo de cobertura ou mobiliário adequado. A instituição possui apenas oito salas de aula para atender a um total de 121 turmas, distribuídas por três turnos, da 1.ª à 9.ª classe. Destas, somente 24 turmas usufruem das salas de alvenaria, enquanto as restantes 97 turmas funcionam em condições totalmente desfavoráveis.

A falta de condições básicas, como teto e carteiras, dificulta não só a concentração dos alunos, mas também a transmissão eficaz de conhecimentos por parte dos professores. Este ambiente de aprendizagem precário compromete seriamente o desenvolvimento académico das crianças, expondo-as a intempéries e a um desconforto constante.
Reconhecimento Oficial e Compromisso Governamental
O Diretor Provincial da Educação, Williamo Tunzine, visitou recentemente a Escola Básica de Muthimacanha e classificou a situação como “alarmante”. Ele reconheceu publicamente que a escassez de infraestruturas escolares impõe enormes desafios tanto aos educadores quanto aos estudantes, impactando negativamente todo o processo educativo na província.
Perante a gravidade do cenário, o Governo assegurou que o investimento na melhoria e expansão da rede escolar continuará a ser uma prioridade. O objetivo central é criar ambientes de aprendizagem dignos e adequados, garantindo o acesso universal e equitativo à educação para todas as crianças moçambicanas, um direito fundamental que precisa ser efetivado em todas as regiões do país.



