Nacional

Nova agenda do Governo quer acelerar acesso à água em Moçambique

O Governo moçambicano está a impulsionar uma nova estratégia para garantir que mais pessoas tenham acesso a água potável e a saneamento adequado em todo o país. Esta iniciativa surge num momento crucial, onde os desafios das mudanças climáticas e a urgência do desenvolvimento sustentável exigem respostas rápidas e eficazes.

Uma Nova Visão para o Setor de Águas

A proposta foi apresentada pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante a abertura da Mesa Redonda Nacional do Setor de Águas, que decorreu recentemente em Maputo. O ministro sublinhou que a prioridade é alinhar as reformas nas instituições, aumentar o investimento e melhorar a capacidade de execução para que os serviços básicos de água e saneamento cheguem a todos os moçambicanos.

O Desafio do Saneamento

O saneamento é, sem dúvida, o maior obstáculo para Moçambique alcançar as suas metas nacionais. Representantes do UNICEF alertaram que mais de sete milhões de moçambicanos ainda fazem as suas necessidades ao ar livre, especialmente nas zonas rurais. Para mudar esta realidade, é preciso uma resposta em grande escala, com financiamento estável, soluções que durem e uma forte campanha para mudar os hábitos das comunidades.

Embora se tenha avançado na expansão do abastecimento de água, os especialistas concordam que o ritmo precisa de ser acelerado. É fundamental reduzir as desigualdades no acesso a estes serviços e, assim, melhorar a saúde pública em todo o país.

Financiamento e Sustentabilidade

Durante o encontro, ficou claro que o setor está numa fase decisiva para consolidar as suas reformas. A AUDA-NEPAD apresentou o Compacto 2026–2036, uma ferramenta para atrair investimentos e alinhar as prioridades estratégicas.

A AURAS, por sua vez, avisou que a sustentabilidade do setor depende de uma regulação forte e previsível. Já a Águas de Moçambique chamou a atenção para a necessidade de melhorar a eficiência operacional, uma vez que cerca de 45% da água é perdida nos sistemas, o que afeta a qualidade do serviço e a capacidade de reinvestir.

O financiamento foi apontado como um fator crítico. O FIPAAS defendeu uma abordagem integrada, combinando fundos públicos, financiamento com condições favoráveis, fundos para o clima e capital privado, de modo a aumentar o investimento em infraestruturas essenciais.

O Papel Estratégico dos Recursos Hídricos

No painel sobre recursos hídricos, a DNGRH destacou a importância estratégica da água para setores como a agricultura, energia, indústria e turismo. Moçambique tem atualmente 16 grandes barragens, com uma capacidade acumulada de cerca de 59,2 mil milhões de metros cúbicos. No entanto, os especialistas alertam para a urgência de reforçar o armazenamento e a gestão das bacias hidrográficas, devido à crescente pressão das alterações climáticas.

Para aumentar a transparência e ajudar a mobilizar esforços, foi também lançado um microsite do Compacto do Setor de Águas. Esta plataforma vai permitir acompanhar de perto a implementação da nova agenda, conforme divulgado pelo MOPHRH.

O encontro, que juntou representantes do Governo, municípios, parceiros, setor privado, academia e sociedade civil, reforçou a ideia de que o sucesso desta nova fase depende da capacidade de transformar os compromissos em investimentos reais e melhorias visíveis no acesso à água e ao saneamento em Moçambique.

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