Moçambique prepara avaliação de 2027 para evitar voltar à lista cinzenta

Moçambique está a reforçar o seu sistema financeiro para se preparar para uma avaliação crucial em 2027, com o objetivo de evitar regressar à “lista cinzenta” internacional de países sob vigilância por falhas no combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

Um Desafio de Sustentabilidade
O Governo, através do Ministério das Finanças, anunciou que Moçambique começará em setembro de 2027 a mostrar os progressos que fez depois de ter saído da “lista cinzenta”. Esta iniciativa é fundamental, pois o Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) aponta que cerca de 40% dos países que saem desta lista acabam por regressar rapidamente, muitas vezes por falta de continuidade nas reformas.

Luís Cezerilo, diretor-geral adjunto do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM), sublinhou a necessidade de criar estruturas fortes e de ter pessoal bem preparado. Segundo ele, o país terá de dar respostas detalhadas sobre como está a implementar as 26 ações e as 12 mudanças que o GAFI pediu. Cezerilo defendeu que “não basta dizer que há lei. É necessário que a mesma seja aplicada e que se recuperem os ativos de forma célere”.
Estratégia Nacional em Ação
Para proteger o sistema financeiro, o Executivo aprovou recentemente a “Estratégia de Sustentabilidade do Sistema de Prevenção do Terrorismo e da Proliferação das Armas de Destruição em Massa 2026-30”. Este plano importante tem cinco objetivos principais e 18 áreas onde se vai atuar, envolvendo entidades fiscalizadoras, autoridades policiais e instituições não-financeiras.
A nova estratégia quer organizar melhor a investigação, a acusação e a recuperação efetiva de dinheiro e bens que vêm de atividades ilegais. O diretor-geral adjunto do GIFiM também destacou que Moçambique deve usar ferramentas modernas, como a inteligência artificial, para melhorar a fiscalização e a transparência.
Olhar para o Futuro
O calendário de preparação para a avaliação de 2028 inclui metas imediatas, como a revisão das leis atuais e a conclusão de uma nova avaliação nacional de risco, que vai além dos dados de 2022/2023. Um dos novos focos será a avaliação nacional de risco específica para ativos virtuais, como as criptomoedas, que são uma área de vulnerabilidade financeira em crescimento.
Moçambique saiu oficialmente da lista cinzenta a 24 de outubro de 2025, exatamente três anos depois de ter sido incluído. O objetivo agora é garantir que o sistema financeiro do país se mantenha forte e seguro para evitar novas sanções internacionais que possam prejudicar o investimento estrangeiro e a economia nacional.



