Saúde

MISAU vai introduzir nova medicação para tratamento de diabetes

O Ministério da Saúde (MISAU) de Moçambique prepara-se para introduzir uma nova e promissora medicação destinada a acelerar o tratamento da diabetes, uma condição que afeta aproximadamente 3 milhões de cidadãos no país e é responsável por graves complicações.

A Gravidade da Diabetes em Moçambique

A diabetes não controlada é uma das principais causas de complicações graves de saúde, incluindo problemas cardiovasculares, neurológicos e de visão. No entanto, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, destacou a particular preocupação com as complicações nos membros inferiores, designadas por “pé diabético”. Esta condição é, infelizmente, a principal causa de amputações não traumáticas em Moçambique.

Os dados são alarmantes: só o Hospital Central de Maputo realiza, semanalmente, entre seis a sete amputações de membros inferiores devido a complicações diabéticas. O aparecimento de feridas, ou úlceras, que são de difícil tratamento, é uma das manifestações mais preocupantes da diabetes.

A Inovação no Tratamento

A nova medicação, que já se encontra registada no país e será integrada no Sistema Nacional de Saúde, representa um avanço significativo. Segundo o médico-cirurgião Atílio Moraes, este tratamento envolve injeções aplicadas diretamente nas feridas. O objetivo é promover uma regeneração e cicatrização mais rápida das úlceras, que antes eram de difícil cura, diminuindo assim o risco de infeções e, consequentemente, de amputações.

Implementação e Acessibilidade no Sector Público

Antes da sua implementação generalizada nas unidades sanitárias, está prevista a formação de 30 profissionais de saúde, entre cirurgiões e ortopedistas, durante um período de duas semanas. Esta iniciativa é fruto de uma parceria estratégica entre a Clínica Marcelino dos Santos, o Ministério da Saúde e o Hospital Central de Maputo.

Adriano Tivane, Diretor Clínico da Clínica Marcelino dos Santos, salientou que o custo do tratamento da diabetes é globalmente elevado, e a estratégia passa por tornar este tratamento acessível no sector público. A visão é que, tal como em países como Cuba, este medicamento esteja disponível nos centros de saúde, onde se encontra a maioria dos pacientes que sofrem de pé diabético.

Para mitigar o impacto financeiro nos pacientes, a Clínica Marcelino dos Santos está a procurar parceiros que possam subsidiar o tratamento. A parceria com o Ministério da Saúde já prevê o financiamento necessário para disponibilizar esta terapêutica nas unidades sanitárias públicas periféricas, garantindo que o custo não seja uma barreira para os beneficiários.

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