Exportações da Mozal ultrapassam 700 milhões de dólares no primeiro semestre

As exportações de alumínio de Moçambique alcançaram um marco significativo no primeiro semestre de 2025, totalizando cerca de 702,7 milhões de dólares. Este crescimento notável, impulsionado em grande parte pela Mozal, contrasta, no entanto, com a incerteza que paira sobre o futuro da gigante industrial devido a questões de fornecimento de energia.

Os dados, divulgados pelo jornal Notícias e compilados pela Agência de Informação de Moçambique (AIM) a partir do relatório mais recente do Banco de Moçambique, revelam um aumento expressivo face aos 479,9 milhões de dólares registados no mesmo período de 2024. Este avanço foi impulsionado tanto pela subida dos preços do alumínio no mercado internacional como pelo aumento do volume exportado, consolidando a posição do alumínio como um dos principais produtos de exportação do país.

A Mozal, uma das maiores indústrias de Moçambique, desempenha um papel central nesta performance, sendo responsável por uma parcela considerável das exportações nacionais de alumínio.
Futuro Incerto da Mozal Devido à Crise Energética
Apesar dos resultados positivos nas exportações, a continuidade das operações da Mozal encontra-se sob séria ameaça. A empresa poderá encerrar as suas atividades já a partir de 15 de Março (ou Março de 2026, segundo algumas declarações), caso não seja alcançado um acordo com o Governo moçambicano para a renovação do contrato de fornecimento de energia elétrica.
A South32, acionista maioritária da Mozal, já expressou publicamente a possibilidade de suspender a atividade da fundição de alumínio se não houver garantias de um fornecimento energético suficiente e a preços competitivos. Graham Kerr, diretor-executivo da South32, citado pelo Notícias, indicou que a empresa poderia entrar num regime de manutenção e conservação a partir de Março de 2026, caso as condições operacionais adequadas não sejam asseguradas.
A questão energética é crucial, uma vez que a Mozal consome quase metade da energia produzida em Moçambique, sendo grande parte proveniente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. Esta dependência torna qualquer negociação sobre o fornecimento de energia um ponto vital para a sobrevivência da fundição.
Impacto Potencial na Economia Nacional: Um “Terramoto Económico”
A Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM) alertou para os impactos devastadores que uma eventual paralisação da Mozal poderia ter na economia nacional. Segundo Damião Simango, secretário-geral da OTM, a suspensão das operações da multinacional representaria “uma espécie de terramoto económico”.
A preocupação da OTM é justificada pelo peso significativo da Mozal no Produto Interno Bruto (PIB) do país e no setor das exportações, além da sua contribuição para a criação de milhares de empregos, tanto diretos como indiretos. A perda desta fonte de riqueza e emprego teria repercussões sociais e económicas profundas em Moçambique.



